sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tropecei

Não obtive êxito. Tropecei na volta pra casa...

A sensação que eu tive foi que estava tudo ok exceto por uma pedra dentro do meu tênis, ou um cisco enfiado no meu olho. Só que mais forte. E mais incômodo. E menos sutil.

A vida é mesmo uma brisa muito louca! Numa hora você reclama de ter que ir ao hospital todos os dias, em outra nem hospital você tem!


A realidade pode ser mais afiada que muita faca!


Pensamento do dia

Nada nunca é tão ruim que não possa piorar!

Câncer

Sempre achei muito forte o signo do zodíaco representado pelo caranguejo. Sempre chamei o câncer de “doença maldita”. Sempre que queria chorar assistia “Tomates Verdes Fritos”.

Descobri que a doença age como um crustáceo; vai dominando tudo à sua volta. Descobri que ela machuca, dilacera, destrói vidas, futuros e amores. Descobri que ela é mais dolorosamente fodida que qualquer superprodução que te faz chorar diante da tevê.


Sempre achei que seria impossível viver sem a minha melhor companhia ao meu lado. Descobri que sou obrigada a viver sem ela. E não adianta chorar, gritar, espernear. “É assim, Alice, pronto e acabou”, me diz a vida.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Retomada

Tudo estava como deveria: de um lado da avenida os ônibus em direção ao Terminal A.E. Carvalho; no outro sentido os ônibus em direção ao Parque Dom Pedro.

Lixo na rua, mendigo na calçada, água suja na sarjeta.

O mesmo bairro, a mesma movimentação matinal, o mesmo trajeto a ser cumprido.

E no meio de tudo isso eu. E a neblina. E a rotina que volta a ser degustada.



terça-feira, 28 de julho de 2015

Fight!

No ringue estão Razão e Emoção.

Digladiam onde instantes antes a Esperança foi duramente nocauteada pela Realidade.

No canto esquerdo, Razão vem armada com facas, lanças e espadas.


No outro canto, Emoção está nua (protegida apenas por um escudo de plumas).


Pensamento do dia

Não existe borracha capaz de alterar as garatujas da vida!

Rivotril

A minha passagem pro mundo dos sonhos eu compro com rivotril.

Recorro a ele quando tudo está em silêncio e o mundo inteiro já dormiu.

Quando me dopo, me desligo, e parece que você nem partiu!

Mas é foda despertar e não te ver! Que porra de vida mais insana, puta que pariu!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Devaneios

Eu fui atropelada bem no meio da estrada da minha vida.

Fui rapidamente socorrida: os auxílios foram prestados, as medicações foram prescritas e, por sentir que eu precisava ser anestesiada, minha família fez vista grossa com todos os meus limites excedidos nos últimos 13 dias.

Esse incidente vai me deixar com marcas pro resto da vida. E não estou certa de que exista um recondicionamento adequado, ou uma oficina que conserte, porque não acredito que haja, em terra, ferramenta capaz de me restaurar.

Isso não significa que vou me desfazer de mim! Mas só porque eu não sou capaz de cometer uma infração tão grave... só porque eu sei que esse atalho, na verdade, me leva pra bem longe de onde eu quero ir.  

E pra seguir adiante eu vou precisar de algumas gambiarras temporárias, tipo curativo com prazo de validade. Sempre que precisar fazer a troca, vai sangrar, vai doer, eu vou chorar... e aí vou voltar a seguir o rolê, mesmo sabendo que logo à frente vou ter que repetir todo o processo.

Espero encontrar sempre acostamentos que me permitam fazer uma pausa pra socar o volante, trocar o pneu, beber um café, fumar um cigarro e chorar até passar um pouquinho essa dor, que sempre lateja além de mim, quando percebo que a paisagem é a mesma, e mesmo assim nada é igual.

Mas como não existe nada e nem ninguém que possa ser responsabilizado pelo acidente, talvez por isso (e só por isso!), eu vou continuar a caminhada contendo essa raiva que me faz querer bater. E até acredito que uma hora ou outra eu vou pegar no tranco e seguir no embalo!

Eu vim de carona até aqui. Sentada na poltrona 13 do busão da vida. Guinchada, por melhor dizer – e eu nem sei quem estava pilotando!

Mas sei que hoje reassumo as rédeas dessa brisa doida que transformou o meu destino. 

Quer dizer, “hoje”, no sentido não literal. Volto pro trabalho só amanhã...


Eu sei que vai me fazer bem! E eu vou continuar, um pé, depois o outro, enquanto a vida impõe o ritmo, enquanto o sol continua nascendo e se pondo, dia após dia.


Nota: A Raquel sempre escolhia a poltrona 13.

Malabares

Na vida eu sou equilibrista, trapezista, domadora.

Eu sou malabarista, estrategista, jogadora.

Sou pianista, baterista e cantora.

Eu sou ativista, eu sou cronista, eu sou amadora.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

"Sou um castelo de areia na beira do mar"!

Na véspera do aniversário da Raquel as nuvens me sussurraram uma mensagem.

Eu queria muito que os ponteiros dessem logo meia-noite...!

Letreiros gigantescos brilharam diante dos meus olhos no último ano. Sinais luminosos apontavam o que viria na sequência, mas eu sempre preferi ignorá-los e seguir em frente. 

Mesmo que o alerta em questão fosse uma febre muito alta. E inclusive isso!

É uma boa tática pra não surtar...

Desde que ela foi internada, com pneumonia, fui tomada por espasmos de pavor, que sempre tiveram o poder de chacoalhar todo o meu corpo, involuntariamente.

O meu medo sempre foi perdê-la.

O medo dela sempre foi ter câncer. E morrer com 27 anos.

Uma brisa gelada mudava o desenho do céu a cada segundo. E uma música começou a tocar na minha rádio interna.

Eu tinha tenho sorte (e escrevo isso com um sorriso triste, meio de canto). Dentre os vários sinais que recebi, as músicas foram de grande valia, e em grande quantidade!

(...)

Dois dias depois uma enfermeira me pediu pra que não deixasse o celular sobre a cama da UTI. Por sorte ela não viu quando eu apoiei o aparelho no ombro da Raquel, pra que ela ouvisse a música que persistia na minha mente.



Décimo dia!

"... o sândalo perfuma o machado que o feriu... Adeus, adeus, adeus meu grande amor..."!



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Trilha sonora nossa de cada dia!


                       
                                                                          Ouça!

Hoje

Hoje o que eu tenho pra compartilhar é saudade, cigarro, desamparo e solidão. Tenho o meu choro, um abraço, miojo, e um pouco de arroz com feijão.

Hoje a minha pele sente mais o vento gelado, e a chuva fininha que cai no telhado deixa meu corpo inteiro arrepiado, mesmo embaixo do edredom.

Hoje o céu tá todo cinzento. O mundo tá sonolento e eu nem liguei a televisão. O silêncio aqui em casa, outrora barulhento, agora é só um lamento que afeta minha audição. 

Hoje eu sinto um vazio completo. Uma totalidade de um imenso nada! O que é engraçado, porque o que pressiona o meu coração é concreto, mas eu sinto minha alma cada vez mais abstrata.

Hoje eu queria, muito, ter você por perto! Queria me ver refletida nos seus olhos cheios de afeto! Mas a solidão ecoa sob o nosso teto... mesmo quando estou quieta, muda, parada.



Mais um dia (enfatizado)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Mais um dia!

E o riso, frouxo, se enjaulou. Aquele brilho no olhar apagou. O amor estancou.

Mas a dor, pulsante (capaz de derrubar um elefante!), sem dificuldades dominou. E reinou em terras que antes se cultivava um futuro brilhante!

E aí as cores ficaram fracas. As luzes se acenderam baixas. O mundo se transformou em cinza! Meu coração ganhou feridas opacas, doídas, malditas... Como dói!

Para!

Meu jardim se encheu de praga! Como se tivesse sido regado com mágoa, como se tivesse sido atingido por mau olhado, mau agouro, por azar! Muito azar! Muita falta de sorte! Ou sol!

E esse vazio não cala! Esse latejar não para! Perdi o meu amor e essa dor não sara! E tem cheiro de Raquel no meu lençol!


terça-feira, 21 de julho de 2015

Despertar

O mundo não parou. A vida, tampouco. Os dias continuaram indo e vindo, com o sol nascendo e se pondo, enquanto o relógio trabalhava incessantemente. Perigosamente. Venenosamente.

As palavras, que sempre escorreram das pontas dos meus dedos, se trancaram dentro de mim. Algumas escaparam de carona com as lágrimas – e elas nunca foram tão soltas, tão leves, tão frouxas.

Eu queria ter escrito uma doce e sincera carta de despedida! Quis ter publicado algo, me manifestado, escrito pro mundo inteiro ler e saber o quanto eu tava triste e despedaçada! Despetalada! Nocauteada!

Mas tudo o que consigo fazer nos últimos dias é chorar, fumar, me embriagar um pouquinho e repetir, devagarzinho, o tempo todo, “que foda tudo isso!”. Porque isso define! Mas não me parecia uma boa ideia escrever assim, desse jeito...

Brisa louca, brisa doida, brisa ruim da gota!



Levante!

E no sétimo dia, saiu da cama e fez um café. Tomou banho, dessa vez penteou os cabelos, e foi escrever.