segunda-feira, 27 de julho de 2015

Devaneios

Eu fui atropelada bem no meio da estrada da minha vida.

Fui rapidamente socorrida: os auxílios foram prestados, as medicações foram prescritas e, por sentir que eu precisava ser anestesiada, minha família fez vista grossa com todos os meus limites excedidos nos últimos 13 dias.

Esse incidente vai me deixar com marcas pro resto da vida. E não estou certa de que exista um recondicionamento adequado, ou uma oficina que conserte, porque não acredito que haja, em terra, ferramenta capaz de me restaurar.

Isso não significa que vou me desfazer de mim! Mas só porque eu não sou capaz de cometer uma infração tão grave... só porque eu sei que esse atalho, na verdade, me leva pra bem longe de onde eu quero ir.  

E pra seguir adiante eu vou precisar de algumas gambiarras temporárias, tipo curativo com prazo de validade. Sempre que precisar fazer a troca, vai sangrar, vai doer, eu vou chorar... e aí vou voltar a seguir o rolê, mesmo sabendo que logo à frente vou ter que repetir todo o processo.

Espero encontrar sempre acostamentos que me permitam fazer uma pausa pra socar o volante, trocar o pneu, beber um café, fumar um cigarro e chorar até passar um pouquinho essa dor, que sempre lateja além de mim, quando percebo que a paisagem é a mesma, e mesmo assim nada é igual.

Mas como não existe nada e nem ninguém que possa ser responsabilizado pelo acidente, talvez por isso (e só por isso!), eu vou continuar a caminhada contendo essa raiva que me faz querer bater. E até acredito que uma hora ou outra eu vou pegar no tranco e seguir no embalo!

Eu vim de carona até aqui. Sentada na poltrona 13 do busão da vida. Guinchada, por melhor dizer – e eu nem sei quem estava pilotando!

Mas sei que hoje reassumo as rédeas dessa brisa doida que transformou o meu destino. 

Quer dizer, “hoje”, no sentido não literal. Volto pro trabalho só amanhã...


Eu sei que vai me fazer bem! E eu vou continuar, um pé, depois o outro, enquanto a vida impõe o ritmo, enquanto o sol continua nascendo e se pondo, dia após dia.


Nota: A Raquel sempre escolhia a poltrona 13.

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