segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Destino

Se eu pudesse comprar uma passagem pra qualquer lugar possível estaria embarcando hoje pro passado!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pensamento do dia

A morte é tão estúpida que eu daria um tiro nela, caso andasse armada. Ou acabaria com a sua vida (se é que é possível!) usando apenas as minhas mãos.


Fragmento musical

"Eu continuo aqui com meu trabalho e meus amigos. E me lembro de você em dias assim: um dia de chuva, um dia de sol... e o que sinto não sei dizer"!


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Academia

Fiz minha inscrição, comprei um tênis... e fiquei tão exausta com isso tudo que vim pra casa descansar!




domingo, 23 de agosto de 2015

Objetos

Suas coisas são apenas... "coisas"...

Só que suas!

Suas coisas!

E a saudade é só minha!

E dispara só de eu olhar pra qualquer coisa sua!


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quarta-feira de cinzas!

Hoje eu peguei, enfim, as cinzas da Raquel.

Parece que ela morreu de novo!

Não, isso não vai passar. E esse vazio pra sempre vai me preencher.

Quando eu digo que a vida é foda, quero dizer que, sim, a vida é foda!


Pensamento do dia

Pra minha vida ficar ruim ela tem que melhorar muito...!


domingo, 16 de agosto de 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Fragmento musical

"... e quando chega a noite eu não consigo dormir! Meu coração acelera e eu sozinha aqui..."


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Fatos

Poderia ter acontecido com qualquer um, mas foi comigo.

Perdi minha esposa, minha amiga, minha parceira.

Perdi a minha Raquel para o câncer.

Um linfoma do tipo Não Hodgkin Difuso de Grandes Células B.

Um nome gigantesco pra uma doença que surgiu num lugar que eu nem sabia que tinha um nome: me-di-as-ti-no, que é o espaço entre os pulmões.

Tudo começou em junho de 2014. Era Copa do Mundo no Brasil!

Nós tínhamos acabado de encerrar uma fase bastante estressante, com uma reforma no apartamento que durou o dobro do tempo previsto. Foi foda!

Mas nem sempre foi assim!

Viemos pra esse apartamento em agosto de 2010. Coincidentemente, o clima também era de Copa do Mundo – uma ressaca típica de fim de festa.

Quando ainda não tínhamos um teto pra chamar de nosso, e as vuvuzelas surgiram, eu dizia que dali a quatro anos nós assistiríamos aos jogos pela nossa tevê, na nossa sala, na nossa casinha.

Estávamos há alguns meses morando de favor na casa de uma amiga dela, a Naruna.

Fizemos a nossa mudança (uma mala de roupas, um colchão inflável, uma cafeteira e uma sanduicheira) de metrô, numa sexta-feira à noite, trazendo tudo num carrinho de feira.

O que nos chamou a atenção no anúncio do apartamento foi o lustre no teto da sala. Lindo!

No dia da visita (que foi quando tiramos, saltitantes, a plaquinha de “Aluga-se”) descobrimos que o teto do banheiro era bem podrinho. E só depois que as chuvas chegaram nós reparamos que as goteiras transformavam o telhado em peneira.

Eram dias frios, o chuveiro não funcionava, não tínhamos televisão, nem fogão ou geladeira. E foi uma das épocas mais felizes da minha vida inteira!

Raquel e eu temos tínhamos uma sintonia deliciosamente perceptível, e sempre nos demos muito bem. Eu sou era casada com a minha melhor amiga e sempre foi delicioso viver com ela! E divertido! Ganhei nos últimos anos rugas nos cantos da boca que foram lapidadas por risadas sinceras.

Aí a reforma acabou, a Copa começou e o pesadelo se iniciou.

Descemos ladeira abaixo!

Foram 40 dias de internação pra tratar uma pneumonia.

Nessa época eu já morria de medo de tudo aquilo, e ainda nem sabia que haveria um tumor!

Aí vieram seis ciclos de quimioterapia.

E 20 sessões de radioterapia.

Em março veio a remissão, que é quando a doença some.

Aí o câncer reapareceu, duas semanas depois.

Na cabeça.

A expectativa era de seis meses de vida.

Ela perdeu o controle do lado esquerdo do corpo, fez mais químio e mais rádio.

Ficou internada por diversas situações distintas. Na última, no dia do aniversário dela, três meses depois da doença voltar, nem teve a triagem de sempre do pronto socorro: da emergência ela foi pra UTI.


Morreu cinco dias depois.



Sonhei

Essa noite eu tive um sonho que durou a tarde inteira!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Esboço

Tô reescrevendo a minha história!

Eu


Eu sou aquela mina descendo a escada rolante do metrô Bresser-Mooca às 18h de uma segunda-feira, de chinelo e mochila, cabelo branco e semblante sério.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Telemarketing


Telefonista da TIM me liga pra oferecer uma “oferta exclusiva”. Com uma voz quase robótica explica que foi feita uma análise dos meus gastos mensais e...

“Moça”, eu interrompo. “Hoje faz 20 dias que estou viúva. Nada do que eu tenha feito anteriormente pode ser usado como parâmetro daqui pra frente. Minha vida nunca mais vai ser a mesma, então, não, grata”.


Desligo e choro. 

Nada

Dentro de mim, onde antes havia um lindo jardim florido, agora há um oco, um vazio, um nada. E nada é tudo o que quero fazer ultimamente!

Minha vontade mais sincera é ficar na horizontal durante um bom tempo, tipo alguns anos... E eu seria capaz de ficar só observando o passar das horas de acordo com o vai e vem do sol, refletido nos prédios fora da minha janela. Juro que seria!

Mas eu sei que querer não é poder. Se fosse, eu nem estaria escrevendo essas palavras e sentindo esse vácuo aqui dentro de mim!

A verdade é que a vida me cobra seu preço, alto e inflacionado, e ordena que eu levante e encare o mundo de frente (exatamente como fiz nos últimos tempos, quando a guerra ainda estava sendo travada).

Mas, saber, também não é sinônimo de poder.

Eu sei bem que “a vida continua”, que “ela tá bem agora” e que “estamos aqui apenas de passagem”. O problema é que isso não me levanta (e sustenta!), nem me consola. 

Ter a Raquel ao meu lado sempre foi mais eficiente que contar com o mais destemido dos batalhões. E me sinto rendida desde que ela se foi.

Fui capturada, enjaulada, torturada e meus algozes sou eu mesma. Sou refém da minha vida! E nunca será cobrado um resgate, uma vez que essa maldição é, agora, condição permanente.