segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nada

Dentro de mim, onde antes havia um lindo jardim florido, agora há um oco, um vazio, um nada. E nada é tudo o que quero fazer ultimamente!

Minha vontade mais sincera é ficar na horizontal durante um bom tempo, tipo alguns anos... E eu seria capaz de ficar só observando o passar das horas de acordo com o vai e vem do sol, refletido nos prédios fora da minha janela. Juro que seria!

Mas eu sei que querer não é poder. Se fosse, eu nem estaria escrevendo essas palavras e sentindo esse vácuo aqui dentro de mim!

A verdade é que a vida me cobra seu preço, alto e inflacionado, e ordena que eu levante e encare o mundo de frente (exatamente como fiz nos últimos tempos, quando a guerra ainda estava sendo travada).

Mas, saber, também não é sinônimo de poder.

Eu sei bem que “a vida continua”, que “ela tá bem agora” e que “estamos aqui apenas de passagem”. O problema é que isso não me levanta (e sustenta!), nem me consola. 

Ter a Raquel ao meu lado sempre foi mais eficiente que contar com o mais destemido dos batalhões. E me sinto rendida desde que ela se foi.

Fui capturada, enjaulada, torturada e meus algozes sou eu mesma. Sou refém da minha vida! E nunca será cobrado um resgate, uma vez que essa maldição é, agora, condição permanente.



Um comentário:

  1. Entendo que os consolos são sempre bem intencionados, mas só quem rema contra sabe a força da correnteza. Não sabemos como será daqui para a frente, mas posso garantir que há pessoas ao seu lado.

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