terça-feira, 27 de outubro de 2015

Pensamentos de um dia útil

É muito difícil lidar com a morte. Ao mesmo tempo em que ela representa a falta, o vazio e o nada, ela significa também o todo, uma vez que o seu contexto altera a vida.

Já faz mais de três meses que estou surfando em mim, manobrando em ondas amargas de um mar revolto.

Me encontro, aqui e ali, mas não me reconheço na maioria das vezes. Minhas feridas doem tanto que acredito que isso me desvie do foco, seja ele qual for!

Há momentos em que me esqueço, mas não porque sigo adiante! Na verdade é nessas horas que eu me afogo.

E no fundo do meu mar há um reino encantado com uma sereia. Que me encanta! Me ampara e me faz acreditar em uma vida diferente!

Mas por instinto sempre volto à superfície. Aprendi, na porrada, que a vida não é mágica; nem doce! E por isso volto às ondas, que me deixam tão cansada.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

#Partiu

Morri há alguns meses.

Vivi durante dias sem notar que estava morta.

Morri de muitas formas: matada e morrida, assassinada e suicidada. E mesmo assim insisti, talvez por não perceber, em continuar tentando levar adiante uma vida já desfalecida.

Mas aí me senti sufocada. Amarras invisíveis me prenderam. Mãos imaginárias me esganaram. Tudo isso acompanhado de um surto de pânico que veio com a mesma sutileza que um soco no estômago.

Aceitei os fatos: eu não cabia mais ali; eu não cabia mais em mim.

E aí decidi sair de casa e decidi sair do emprego.

Esmoeci.

Percebi, até fisicamente, que essas decisões exigiam muito desprendimento – talvez até além do que eu tinha condições de oferecer.

Lidei com isso durante dias, sem condições de fazer absolutamente nada, a não ser chorar por mais essa morte.

Me desvincular assim de maneira tão determinante de tudo o que pertencia àquela Alice me faz chorar mais uma vez.

Eu realmente lamento a minha partida!

Com sua morte quem ficou foi outra de mim. Uma versão mais realista, menos sonhadora, mais racional e menos esperançosa.

E aí fico com vontade de velar aquela Alice! E dizer que sinto muitíssimo por sua partida! E que já sinto muita saudade: dela e de sua vida colorida.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Contradição

Raquel chorava porque queria sair da cama e viver.

Eu choro porque quero ficar deitada até morrer.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

História com fim

Conheci a Raquel bem antes de nos conhecermos. Uma dor de cotovelo me fez parar em seu perfil, no finado Orkut.

Como era linda!

Considerei o mundo injusto, porque de imediato tive a certeza de que ela deveria ser minha, não de outra.

Mas antes de trocarmos nosso primeiro “oi”, no também desativado MSN, eu ainda pastei um pouquinho.

Me envolvi com gente que não deveria, comecei a fazer terapia, ficava 4h por dia na academia, tinha um emprego chato e desgastante, passava os dias dizendo que queria ser um cisne.

Em vários momentos eu era banhada pelo mais puro tédio. Tédio da rotina, da minha vida, de mim mesma.

No auge dos meus 26 anos e com um casamento recém-desfeito, eu jurava que minha vida tinha acabado.

Aí uma amiga me apresentou uma pessoa. Mesmo fazendo concessões logo de cara, como não arrotar na frente da menina, por exemplo, topei conhecê-la.

Mas, meu Deus, como era chata!

Bastou um dia de convívio pra eu saber que não valia me sacrificar (desculpe dizer isso, T*!).

A menina, por sua vez, não ficou muito tempo sozinha e pouco tempo depois do ocorrido começou a namorar.

O “nome” da namorada dela: Garota Errada.

Linda, loira, cara de malvada e com uma covinha de derreter corações.

Namorada da chata. E eu pastando.

Em um determinado período cheguei a me isolar. Não conectar a internet já era falta grave naquela época em que ainda não existia facebook, twitter, instagram e afins.

Aí um dia a minha amiga disse que queria me apresentar outra pessoa. Recusei a oferta, educadamente, e garanti que preferia ficar sozinha a tê-la como minha cupido.

“Mas ela é a sua cara”, ela me disse.

Eu já estava off-line há tempos, mas voltei à vida em uma noite quente de domingo. Era dia 27 de setembro de 2009 quando a Garota Errada veio falar comigo.

Tenho como meta resgatar essa conversa. Foi uma madrugada de expectativas, risadas e, por que não, reencontros.

Minha alma sempre pertenceu a ela! Meu coração também! Nasci pra ser dela e pra fazê-la feliz!

E eu sentia a alegria emanar dela, mesmo que via telefone. E mesmo quando ela engrossava a voz quando me ouvia dizendo que ela tinha “voz de menina” (e tinha mesmo!).

Uma semana depois da primeira conversa tudo se intensificou, quando nos vimos pela primeira vez.

O cheiro que saía dela me fazia levitar!

E o som da sua risada, sempre constante apesar de ela nessa época só tirar foto séria, preenchia cada pedacinho de mim!

Pedi ela em namoro naquela noite. Nossa primeira noite! Dia 03 de outubro.

Eu não podia simplesmente deixá-la ir embora depois daquele fim de semana, sem a certeza de um compromisso.

Aquela era a minha garota, a garota certa, desde sempre!

E foi ela quem me garantiu isso, quando percebeu que eu estava observando as fumaças dos nossos cigarros se enroscarem antes de escaparem pela janela, e disse que veríamos aquela cena por muitas vezes; que nossas fumaças se abraçariam até ficarmos bem velhinhas.

Foi como se ela tivesse falado uma mensagem secreta que se desvendou naquele minuto. Eu senti que era exatamente aquilo que aconteceria!

Ficamos noivas em março de 2010. O dia sempre foi uma incógnita pra nós, infelizmente, mas faz sentido quando lembro que naquela noite eu perdi a sanidade! Foi um daqueles momentos que o excesso de álcool simplesmente apaga tudo da memória!

Naquele mesmo mês me mudei pra São Paulo e começamos a morar juntas.

Mudei de emprego três vezes, operei o útero, fiz pós-graduação. Ela entrou pra faculdade, começou a dar aula e era reconhecida pelos aluninhos sempre que íamos ao mercado.

Eu nunca imaginei, ou pude prever, ao que estávamos fadadas a viver.

E é muito interessante que mesmo tendo um baú cheio de lembranças divertidas, tudo o que penso ultimamente é no período sombrio que encerrou a nossa história!

Parece que a cena da gente entrando no hospital pela última vez se congelou, e fica repetindo incessantemente, querendo eu ou não. O olhar desesperado dela, o meu próprio desespero, e até mesmo o cheiro daquele lugar voltam à tona tão logo a cena se encerra (com a porta da sala de emergência se fechando diante de mim).

Fico lembrando do segundo que antecedeu a ligação do hospital, às 5h da manhã, quando eu senti que ligariam para avisar que ela já não estava mais aqui.

Lembro até do que não existiu, como ter ouvido ela me chamando no instante em que a sedaram e entubaram. Ela no hospital e eu na estação do metrô.

Não fizemos quase nada do que sonhávamos ou planejávamos, mas nos amamos tanto que é esse sentimento que ainda me mantém ancorada nessa vida!

Porque ela morreu, mas eu continuo aqui.



Tristeza bumerangue

Ela vai; sempre volta.

E me derruba com a força de cinco gigantes.


Pensamento do dia

Sabe aquele papo de que você colhe tudo o que planta?

Esqueça!