segunda-feira, 26 de outubro de 2015

#Partiu

Morri há alguns meses.

Vivi durante dias sem notar que estava morta.

Morri de muitas formas: matada e morrida, assassinada e suicidada. E mesmo assim insisti, talvez por não perceber, em continuar tentando levar adiante uma vida já desfalecida.

Mas aí me senti sufocada. Amarras invisíveis me prenderam. Mãos imaginárias me esganaram. Tudo isso acompanhado de um surto de pânico que veio com a mesma sutileza que um soco no estômago.

Aceitei os fatos: eu não cabia mais ali; eu não cabia mais em mim.

E aí decidi sair de casa e decidi sair do emprego.

Esmoeci.

Percebi, até fisicamente, que essas decisões exigiam muito desprendimento – talvez até além do que eu tinha condições de oferecer.

Lidei com isso durante dias, sem condições de fazer absolutamente nada, a não ser chorar por mais essa morte.

Me desvincular assim de maneira tão determinante de tudo o que pertencia àquela Alice me faz chorar mais uma vez.

Eu realmente lamento a minha partida!

Com sua morte quem ficou foi outra de mim. Uma versão mais realista, menos sonhadora, mais racional e menos esperançosa.

E aí fico com vontade de velar aquela Alice! E dizer que sinto muitíssimo por sua partida! E que já sinto muita saudade: dela e de sua vida colorida.


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