segunda-feira, 30 de maio de 2016

S2

Terra devastada, desabitada, retorcida

Sem cor, aparentemente sem vida, sem emoção

Tem uma batida descompassada e ensandecida

Não há luz; apenas chuva e trovão

Se ali já houve festa, ela foi há muito dissolvida

Já que o pulsar parece picada de escorpião

Pode ser que o sol volte algum dia; eu tô na torcida!

Afinal, esse lugar sou eu no meu coração


Multidões

Eu ando tão obcecada em procurar a Raquel nas multidões que temo pelo dia que eu vê-la!


terça-feira, 24 de maio de 2016

Fragmento musical

"... daquilo que eu sei:

Nem tudo me deu clareza!

Nem tudo foi permitido!

Nem tudo me deu certeza..."!


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Nani

Um dia decidimos que nossa família precisava aumentar, e que merecíamos uma receptividade maior que os peixes de aquário são capazes de oferecer.

Passamos a olhar sites de adoção e páginas de ongs, noite após noite, mas mesmo nessa fase a história de “vamos ter um cachorro” ainda parecia muito distante. Nem mesmo as listas de prováveis nomes (que incluíam Alegria e Bolinha) davam a impressão de que estava perto o dia em que mudaríamos a nossa rotina pelos próximos anos.

Raquel nunca tinha tido um bichinho. Teve, por duas semanas, e ela adorava contar essa história, a Björk. Mas foi por apenas alguns dias.

Ela também tinha histórias ótimas sobre um gato que morreu tragicamente ainda filhote, e sobre um hamster que ela teve na adolescência.

(A verdade é que todas as histórias que ela contava eram boas! Mesmo, e inclusive, aquelas em que o final era totalmente inesperado)

Um dia vimos a foto da Nani. Toda bonitinha!


Foi amor à primeira vista. Ela tinha a cara do nome que já veio com ela.

No dia em que ela chegou nós pedimos uma pizza. Tínhamos estabelecido que nosso filhote não subiria no sofá, e que ficaria afastado quando fôssemos comer.

Em menos de um minuto, isolada na varanda, a Nani derrubou a prateleira de produtos de limpeza, e ficou presa. Foi uma barulheira... era embalagem caindo, ela ganindo... E nos olhamos com cara de “pois é, agora temos um cãozinho”.

Foram pouco mais de dois anos de harmoniosa convivência até a reforma que vivemos no apartamento. Eu saía pra trabalhar e a Raquel com a Nani se deslocava pelos cômodos isolados de pedreiros. Nessa época as duas eram inseparáveis. Parecia até que sabiam que deveriam aproveitar ao máximo da companhia uma da outra.





O tempo que a Raquel ficou internada foi tenebroso pra mim, e certamente confuso pra Nani. Ela não via mais a mãe dela e mesmo que eu tentasse explicar ela não parecia entender.

Ela ficou muito estressada, passou a comer coisas que não devia em cima do sofá, fazia xixi fora do lugar e ficava horas esfregando as patas no chão, como se quisesse cavar a sala.

E mesmo quando a tinha em casa, nos períodos entre uma internação e outra, ela não podia se aconchegar em seu colo, e nem lhe dar beijinhos, como sempre fazia, porque o risco de uma infecção era sempre muito grande.

Um dia, simplesmente, ela nunca mais voltou.

Sem opção, a Nani se apegou a mim. Viramos uma dupla triste, mas inseparável.

Saímos de casa, adotamos uma rotina de passeios diários pelo Parque Ecológico. Muitas vezes eu chorei e ela me consolou; muitas vezes ela nem chorou e eu a consolei, sempre me perguntando o quanto ela estaria sofrendo.

Na semana passada ela voltou a roer osso!

Posso afirmar que, agora, meu cãozinho está se livrando da depressão!


  


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Há muito o que temer

"... a saúde do povo daqui é o medo dos homens de lá. A consciência do povo daqui é o medo dos homens de lá. Sabedoria do povo daqui é o medo dos homens de lá... "!




terça-feira, 17 de maio de 2016

Vianna, Alice.

Eu sou o meu demônio e também o meu deus.

Sou minhas trevas e minhas sombras. Sou minha salvação e minha redenção.

Eu sou a minha história, meus dilemas e meus conflitos, minhas conquistas e minhas glórias.

Sou tudo o que penso, e parte de tudo o que falo.

Sou designer de palavras, artista das letras, esculpidora de frases, tecladista da internet.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Preciso falar da Raquel!

Uma vez eu ouvi, não lembro onde e nem de quem (talvez num filme), que não é porque alguém não entende de eletricidade que não pode tirar proveito de uma lâmpada.

Já faz anos que aplico isso na minha vida, de maneira bizarra, até.

Sempre acreditei em sinais, em mensagens subliminares e em recados que a vida dá pela boca dos outros. Mesmo sem entender como isso realmente funciona.

E hoje me aconteceu algo inusitado!

Apareceu uma foto no meu celular, como se tivesse chegado via messenger do facebook. Não recebo nenhuma imagem há algum tempo, e até fui me certificar se alguém havia enviado.

Ninguém enviou.

Mas a imagem está na pastinha, como se sempre estivesse estado.

Pareceu um recado, mas tenho receio de acreditar em qualquer uma das mil possibilidades que criei logo de cara.

Porque pode ser muita coisa!

Pode ser até um tilt!





Fiquei feliz mesmo assim!



Mil coisas

Essa noite eu tive um infarto seguido de uma parada cardíaca.

Tive revelações do passado e do além.

Quando tudo começou a fazer sentido eu dormi, e sonhei com mil coisas das quais não me lembro.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ducentésimo

No próximo sábado minha vida completa dez meses sem a Raquel. Foram, e ainda estão sendo, dias e noites difíceis, onde nem mesmo o calor fora de época serviu pra aquecer meu coração, fragilizado e machucado.

Tenho sido obrigada, a contragosto, a lidar com pensamentos sombrios e uma depressão que se acomodou em cada cantinho das minhas entranhas. E enfrento tudo isso porque eu ainda estou aqui e sinto, um tanto amargurada, que a vida ainda vai me dar muitos e muitos anos de lida.

Perdê-la significou me perder também, e venho lutando, dia após dia, para me adaptar a essa nova vida, a essa nova Alice. E isso é muito difícil porque sei que eu sou a minha única salvação e também a minha maior condenação.

Rendida, não tenho muitas opções a não ser encarar tudo o que me é apresentado. 

Ou é isso ou eu definho.

E parte da minha estratégia pra sobreviver está nas palavras.

É verdade que nem tudo o que penso eu traduzo pro papel, mas é fato que transcrever parte das minhas reflexões tem um efeito considerável. Importante. Talvez até mais eficiente que alguns anos de terapia, vai saber...

Escrevo desabafos, inspirações, pensamentos encruados na minha rotina, trechos de música que me tocam, me deixam saudosista, mas também fortalecida.

Às vezes escrevo e choro; em outras escrevo e sorrio, mesmo que tristemente.

Porque por mais foda que seja passar por tudo o que passo, eu sei que sou uma pessoa de sorte. Tive o merecimento de ter um relacionamento incrível com uma pessoa sensacional. E mesmo tendo sido tão breve, me convenço de que não tê-la encontrado teria sido pior, porque eu carregaria comigo um vazio sem nem entender o que estaria faltando.

E assim, de post em post, chego à postagem de número 200.

Eu sempre soube que esse seria um processo longo, complicado e doloroso. Mas quando analiso tudo o que escrevi até aqui (incluindo tudo o que não postei) percebo que já evoluí um tanto assim (e falo isso ciente de que daqui alguns minutos posso desatar em lágrimas).

Acredito que, no meu caso, qualquer evolução é uma evolução. E isso me basta.

Ainda tenho muito pra analisar e viver. Muito pra pensar e escrever. E me comprometo a me vigiar cada vez mais, não no intuito de relevar, mas sim de assimilar que hoje nada é o que teria sido se o caminhão do câncer não tivesse nos atropelado.

Tenho que absorver essa amputação definitiva na minha vida. Tenho que transformar a minha perda em algum combustível que ainda não sei os efeitos, mas que sei que existem.


Que a Sorte e o Sol permaneçam na minha vida. E que venham os próximos duzentos posts!



terça-feira, 10 de maio de 2016

Ociosidade

Ando tendo bastante tempo pra pensar, e me julgar, me criticar, e me penalizar, me punir, e me condenar.




sábado, 7 de maio de 2016

Uma brisa

Já fumei muito desde aquela nossa última vez.

Talvez porque eu procure na fumaça um pouco da gente.

Ou talvez porque eu não queira pensar.

Ou talvez porque queira!

Talvez porque queira esquecer.

Ou lembrar.

Não sei!


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Vida loka

Nem sempre é preciso estar no meio de tudo pra saber que não se pode mudar nada!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Fragmento musical

"... um físico desafiou: 'como que o sentimento pode o tempo atravessar?'

Um cínico dissimulou: 'isso vai passar'..."!


Nunca saberei

Talvez naquela encruzilhada eu tenha escolhido o caminho mais difícil.