segunda-feira, 23 de maio de 2016

Nani

Um dia decidimos que nossa família precisava aumentar, e que merecíamos uma receptividade maior que os peixes de aquário são capazes de oferecer.

Passamos a olhar sites de adoção e páginas de ongs, noite após noite, mas mesmo nessa fase a história de “vamos ter um cachorro” ainda parecia muito distante. Nem mesmo as listas de prováveis nomes (que incluíam Alegria e Bolinha) davam a impressão de que estava perto o dia em que mudaríamos a nossa rotina pelos próximos anos.

Raquel nunca tinha tido um bichinho. Teve, por duas semanas, e ela adorava contar essa história, a Björk. Mas foi por apenas alguns dias.

Ela também tinha histórias ótimas sobre um gato que morreu tragicamente ainda filhote, e sobre um hamster que ela teve na adolescência.

(A verdade é que todas as histórias que ela contava eram boas! Mesmo, e inclusive, aquelas em que o final era totalmente inesperado)

Um dia vimos a foto da Nani. Toda bonitinha!


Foi amor à primeira vista. Ela tinha a cara do nome que já veio com ela.

No dia em que ela chegou nós pedimos uma pizza. Tínhamos estabelecido que nosso filhote não subiria no sofá, e que ficaria afastado quando fôssemos comer.

Em menos de um minuto, isolada na varanda, a Nani derrubou a prateleira de produtos de limpeza, e ficou presa. Foi uma barulheira... era embalagem caindo, ela ganindo... E nos olhamos com cara de “pois é, agora temos um cãozinho”.

Foram pouco mais de dois anos de harmoniosa convivência até a reforma que vivemos no apartamento. Eu saía pra trabalhar e a Raquel com a Nani se deslocava pelos cômodos isolados de pedreiros. Nessa época as duas eram inseparáveis. Parecia até que sabiam que deveriam aproveitar ao máximo da companhia uma da outra.





O tempo que a Raquel ficou internada foi tenebroso pra mim, e certamente confuso pra Nani. Ela não via mais a mãe dela e mesmo que eu tentasse explicar ela não parecia entender.

Ela ficou muito estressada, passou a comer coisas que não devia em cima do sofá, fazia xixi fora do lugar e ficava horas esfregando as patas no chão, como se quisesse cavar a sala.

E mesmo quando a tinha em casa, nos períodos entre uma internação e outra, ela não podia se aconchegar em seu colo, e nem lhe dar beijinhos, como sempre fazia, porque o risco de uma infecção era sempre muito grande.

Um dia, simplesmente, ela nunca mais voltou.

Sem opção, a Nani se apegou a mim. Viramos uma dupla triste, mas inseparável.

Saímos de casa, adotamos uma rotina de passeios diários pelo Parque Ecológico. Muitas vezes eu chorei e ela me consolou; muitas vezes ela nem chorou e eu a consolei, sempre me perguntando o quanto ela estaria sofrendo.

Na semana passada ela voltou a roer osso!

Posso afirmar que, agora, meu cãozinho está se livrando da depressão!


  


Nenhum comentário:

Postar um comentário