terça-feira, 28 de junho de 2016

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Meu jeito

Ando quando todos estão parados.

Corro quando todos estão andando.

Flutuo quando todos estão correndo.

Paro quando todos estão voando.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Querida Raquel

Essa é a primeira vez que te escrevo, desde que fiquei sozinha. Já tivemos alguns projetos de conversa, alguns monólogos, alguns gritos histéricos e molhados, mas nunca te escrevi. Talvez porque sempre que pensava na ideia eu me desatava em choro e meus pensamentos se bloqueavam, talvez (e certamente este é o principal motivo) porque sei que você não vai me ler.

Mas acredito que tenha chegado o momento. Meus dedos se agitam a cada post publicado, como se fizessem rebeldia porque não te escrevo.

Já faz quase um ano que não conversamos. Quase um ano sem ouvir a sua risada, a sua voz, os murmúrios que você soltava sempre que queria ser fofinha. Quase um ano sem sentir seu cheiro, seu toque, seu amor através dos gestos. Um calendário inteiro sem você.

Eu sinto muito, muito, a sua falta. E ainda tenho muito, muito, amor por você. Mesmo passado quase um ano longe. Mesmo sabendo que você não vai chegar em breve de alguma longa viagem. Mesmo ciente de que esse vazio que você deixou dentro de mim jamais será preenchido.

O amor que me motivou ontem é o amor que me sustenta hoje. Mesmo você estando tão longe de mim.

Virei uma chorona de lá pra cá! Me transformei numa chata ranzinza. Você talvez nem gostasse dessa nova eu! Ou talvez dedicasse algumas várias horas da sua vida pra me mostrar que tudo o que aconteceu era necessário; pra você, pra mim, pra nós. Mas isso a gente nunca vai saber.

Alguns de nossos amigos se casaram. Algumas de nossas amigas se separaram. Contei dois novos bebês no grupo desde então.

Recentemente uma colega sua veio me perguntar por você, e percebi que gentileza não faz mais parte do meu cardápio. Fui grossa quando disse que você morreu. Mas no fim acabei consolando porque eu sei como é triste receber essa notícia.

Naquele dia que você foi sedada eu vi três balões no céu. Tomei uma dose extra de rivotril, mas acordei antes que o telefone tocasse. Fui pro hospital levitando, apenas pra me certificar do que eu já sabia.

Encontrei muita gente no velório. Conheci muita gente também – até sua ex tava lá. Na cerimônia de cremação tocou a música do Ghost (e não tocou a música de igreja que sua mãe tinha escolhido). Você foi pro caixão com a sua camiseta favorita – e com o tênis que você mais gostava. Escolhi a calça que você certamente escolheria.

Todos os que foram em casa, daquele dia até eu me mudar, lavaram a louça. Acho que há situações na vida que as pessoas realmente não sabem o que fazer, e ao mesmo tempo em que acredito que a louça foi lavada como um gesto de solidariedade ao meu luto, eu acho também que muita gente não soube lidar com a casa tão vazia. Tão quieta. Tão sem você.

Dei suas coisas de artista pras suas amigas. Doei muitas outras coisas pra igreja do Belenzinho. Joguei muita coisa fora. Enfiei tudo o que sobrou num caminhãozinho e vazei. Tem uma caixa com as suas coisas da adolescência que ainda vou levar pro seu irmão, um dia.

Engordei. A Nani engordou. Fiz uma tatuagem nova e furei o nariz (mesmo sabendo que você achava que eu não tinha mais idade pra isso!). Fiz 33 e já gastei quase todo o dinheiro que tínhamos na poupança, e já estou apelando pro nosso cofrinho. Aliás, o seu RG continua guardado junto com as moedas. E seus cartões do banco também. E o seu bilhete único. E a sua carteirinha de estudante.

Tem muita roupa sua que já parece minha. Tem muitas outras que são tão suas que eu nem consigo usar. E algumas que eu visto só pra me lembrar ainda mais de você. Às vezes saio pra andar com o seu tênis, só pra ele dar uma voltinha.

Tenho guardado os seus perfumes. Estão no fundo de uma bolsa, mas vira e mexe eu vou lá cheirar. É devastador, mas não consigo evitar. Nem jogar fora. Nem parar de fazer isso. Só fecho os olhos e respiro o mais fundo que consigo. Várias vezes, até ficar tonta e por alguns milésimos voltar no tempo, pelo cheiro.

Já sei quase todas as fotos do seu celular de cor. E ainda não consegui apagar o seu número da agenda do meu. Já cancelei o seu facebook, apagar o seu número me parece demais. Mas um dia vou fazer isso também porque ver a sua fotinho ali me dói. Porque não posso te mandar uma mensagem, ou te ligar. E isso me fode. Tanto quanto ver quando foi seu último acesso no whatsapp.

Não sonho mais com você há algum tempo, mas ainda peço, encarecidamente, noite após noite, pra te encontrar enquanto durmo. Quero só te ver, te dar um abraço e me certificar que você tá bem. Mesmo que eu não me lembre de nada depois.

Eu sei que você tem os seus rolês aí, mas venha, eu peço, sempre que conseguir! Prometo me esforçar pra não chorar!

As suas cinzas continuam comigo. Desculpa, não consegui levá-las pra perto do mar. Talvez eu peça pra alguém fazer isso um dia, com as minhas junto.

E até lá, minha “menina dos olhos redondos”, eu vou fazer de tudo pra te manter viva na minha memória e no meu coração. Me comprometo a te levar comigo aonde quer que eu vá! E prometo me esforçar pra te escrever sempre que a saudade me enforcar, sempre que o choro quiser me sufocar, sempre que o vazio me arrebatar.

Amo você, Raqueli!

Sorte e Sol!




terça-feira, 21 de junho de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

terça-feira, 14 de junho de 2016

(Sem) Título

Era uma vez uma ingênua, que se cobria de maneira exagerada de otimismo, que acreditava que viver era obra do acaso, um eterno "cara ou coroa" em que importava, muito, ter a sorte como sua aliada.

Um dia a maré de azar se apresentou. E ela se viu refém de forças além da sua compreensão. E aí começou a considerar que o que lhe diziam poderia verdadeiro: reduzir a vida à sorte ou ao azar era simplificar demais as coisas.

Mas já era tarde demais; ela já estava submersa. Se afogou e nem viu que era raso.


Um pra um

Onze estranhos meses sem a Raquel.

Onze cinzentos meses de um mundo descolorido e sem graça.

Onze. Meses.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Querida Alice

Escrevo para lhe garantir que seu conto de fadas foi real, e que qualquer tentativa de acinzentar as suas lembranças sou apenas eu.

Leia sempre que puder!

Com amor,
Alice.


terça-feira, 7 de junho de 2016

A vida como ela é

Parte das flores que trago no meu caminho são aquelas que a chuva derruba e aí viram lama.


sábado, 4 de junho de 2016