sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Só lamento

Das muitas coisas que lamento, a principal é não poder mais compartilhar com a Raquel atualizações de assuntos que passávamos horas dissecando.

Raqueli, onde quer que esteja, saiba que hoje, enfim, a Fernanda Gentil saiu do armário.

Estávamos certas!


Se derrame

Se der, ame.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

E voou

Naquela noite, ao deitar, se livrou de todos os pesos que carregava nos bolsos.

Virou pluma e voou.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Noite

É de noite que as bads saem debaixo da cama pra causar.


Pra favorecer o conforto da minha paranoia, durmo numa bicama.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Gramaticalmente

Cheguei num ponto da minha vida em que vírgulas são mais bem-vindas que reticências.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sinto saudade de você

Sinto saudade do seu sorriso, da sua risada, da sua voz e do seu silêncio. Sinto saudade das nossas conversas, e das palavras que eram nossas, somente nossas. Sinto saudade das suas análises sobre o mundo, do seu discernimento sobre a vida, da tranquilidade da sua respiração. Sinto saudade de te ver desenhando, de te encontrar acordando, de te flagrar me olhando. Sinto saudade de te contar meus segredos, só pra te fazer ouvir calmamente e depois me dizer que essa história você já conhecia. Sinto saudade das suas prosas, seus causos e a maneira como você descrevia tudo. Sinto saudade das suas mensagens, das suas ligações durante o dia, dos seus bilhetes sempre com ilustrações. Sinto saudade das nossas partidas de buraco, dos nossos goles de cerveja, dos nossos tragos despretensiosos. Sinto saudade das horas de videogame, das faxinas de final de semana, das disputas pra ver quem pegaria o pedido do delivery. Sinto saudade do nosso passado, dos nossos planos pro futuro, da vida que eu tinha quando eu não era apenas eu; sinto saudade de quando eu ainda era nós!



No velo

Eram tantos nós que ela fez uma teresa e fugiu daquela vida.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Fragmento musical

"... é de noite que tudo faz sentido...



... com o silêncio, não escuto meus gritos"!


Des-afiada

Quis tanto cutucar a onça com vara curta que se atirou na jaula com um palito de dente.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Antes da lágrima

Me foi concedido um encontro, previamente compreendido que seria breve: duraria até que a primeira lágrima caísse.

Fechei os olhos e aceitei.

Sorri quando a vi caminhando na minha direção.

"Senti saudade", eu disse, dentro de um abraço perdido no tempo, ciente de que qualquer palavra além do tom poderia colocar tudo a perder.

"Senti saudade também", ela me disse. "Vamos sentar ali"!, e indicou um tronco sob uma árvore.

Eu ri da roupa dela: um short xadrez que ela chamava de uniforme, e dizia que um dia ele iria no Dom (como ela chamava a mercearia da esquina) sem ela.

Ela sorriu de volta, com os olhos bem redondos, e as duas pintinhas embaixo da íris se destacando - como sempre.

"Acho que tô indo bem", eu disse, segurando sua mão.

"Você tá arrasando", ela me respondeu, sorrindo mais uma vez.

"Só não pode se desesperar!", emendou.

Eu quis justificar, comecei falando "ah, mas é foda, as decisões que eu tomei depois que você morreu..."

Mas ela me interrompeu e me disse que até mesmo as minhas decisões, por mais que me pesem agora, foram necessárias.

"Você só precisa ficar calma. Eu tô aqui com você, mesmo que você não saiba lidar".

"Eu sei que está, mesmo que eu não assuma", respondi.

Sorrimos.

"Foi muito divertido estarmos juntas, né?", eu soltei, sentindo a lágrima brotar.

Ouvi ela dizendo "foi sim, muito divertido"!




segunda-feira, 5 de setembro de 2016