terça-feira, 8 de novembro de 2016

Caminho

Um dia, quando eu era bem pequena, me ensinaram a andar.

Tropecei, caí, tropecei, caí, andei.

Aí descobri que correr era legal!

Tropecei, caí, tropecei, caí, corri.

Aí descobri que com equilíbrio eu poderia andar e correr.

Acompanhada, inclusive!

Andei, corri, namorei.

Tropecei, caí, corri.

Saí gritando que a partir dali ia andar e correr sozinha.

Um dia, encontrei uma menina muito bonita que me ofereceu água e companhia pra jornada.

E andamos juntas, e tropeçamos, caímos algumas vezes, levantamos.

Ela ia me falando sobre o sol, sobre o céu e os etês. E eu fui deixando ela ditar o ritmo porque era muito divertido!

Às vezes ela corria mais rápido, só pra se certificar dos riscos adiante, ou me garantir que tudo estava bem, porque ela tava comigo.

Mas então veio a encruzilhada e ela teve que seguir um rolê só dela.

Tropecei, caí.

Me vi sozinha numa estrada vazia.

Estaquei.

Durante meses.

Chutei cada pedrinha que encontrei, sem extravasar o aperto que dificultava a minha respiração.

Voltei a andar recentemente, tímida, precavida, gritando que a partir dali andaria sozinha.

Mas a minha percepção da vida é, claro, subjetiva. E a minha compreensão (ou a sua total ausência) limita o meu entendimento.

A verdade é que a estrada vai muito além do que os meus olhos conseguem ver!

E eu sinto, às vezes, a presença daquela menina bonita! E por não poder enxergá-la, gosto de imaginá-la sorrindo, segurando uma faixa que diz: "vai, Alici"!



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