quarta-feira, 14 de junho de 2017

Não há regras

Eu tinha escrito um texto pra hoje, mas achei que ele tava muito triste, então decidi reescrever.

Não que agora eu vá escrever algo muito diferente, mas vou tentar usar outro tom. Porque eu sempre leio meu blog e alguns textos me deixam tão triste quanto no dia em que foram produzidos. E esse seria mais um desses.

Hoje é dia 14, mais um dia 14 na minha vida, uma vida sem Raquel. Daqui um mês serão dois anos sem ela.

Eu tinha no começo uma pequena curiosidade em saber como seria a vida sem ela, e é exatamente como pensei que seria: sem ela.

Não posso dizer que é sem cor porque não fiquei daltônica, só depressiva, mas é fato que o colorido dela eu não vejo mais. E ela tinha as cores mais incríveis e brilhantes eu já vi!

Não posso dizer que é chata porque nesse período conheci pessoas tão especiais que dizer isso soaria errado. Mas sinto falta de falar disso com ela - sobre pessoas, principalmente. Porque ela sempre associava as pessoas a coisas, ou nomes, e isso transformava o mundo e a sociedade à nossa volta.

Raquel tinha mania de decorar números inventando histórias, e de incrementar os nomes das pessoas que conhecíamos com suas características. E isso era muito divertido. E muito nosso.

E é basicamente disso que mais sinto falta: de tudo. Dela. De nós.

E aí percebo que posso reescrever isso mil vezes, e nas mil vezes soarei triste.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sessão da tarde

Sempre achei uma brisa o dilema de Peter Pan e sua sombra. Isso sempre despertou um milhão de pensamentos dentro de mim, desde pequena. Afinal, como era possível que ele perdesse parte de si?

Eu me perguntava o que a sombra fazia longe dele, e o que ele próprio fazia, perto da luz, estando sem ela. Me questionava até se seria passível de dor esse tipo de ausência – ou a sua reconstrução.

Sentia dó de Peter Pan sem a sua sombra, mas o alívio era pouco quando ele enfim voltava a tê-la. Porque era apenas uma sombra, afinal.

Uma brisa, como eu disse.

Em uma das minhas maiores crises existenciais, aos vinte e poucos anos, escrevi uma carta me questionando quem eu era, de verdade, em essência. E, por sorte, e com luz, eu recebi essa resposta: eu sou, aqui, o conjunto de todas as alices que me formam.

Eu sou o resultado de mim mesma.

Goste eu ou não.

Nessa descoberta eu costurei de volta partes de mim que vagavam soltas – tipo a sombra do Peter Pan. E desde então venho cuidando desse conjunto, dessa colcha de retalhos. Porque me aterroriza um pouco pensar em alicinhas soltas, sem mim.

No fundo eu sempre soube que esse merecimento não foi à toa; nada é de graça, sabemos disso.

Eu precisei me costurar pra saber a importância disso, pra ter condições de mensurar a verdadeira perda quando eventualmente arestas de mim ficam soltas. Hoje sei que foi uma espécie de preparação. Eu me preparei pra poder lidar comigo mesma no futuro.

Os últimos três anos foram de uma loucura inimaginável pra mim. Começou com o medo de perder a Raquel quando ela ficou doente, passou pelo medo da solidão depois que ela morreu, até chegar ao medo de ter de levar adiante uma vida sem ela.

O medo me anestesiou da dor, em partes, mas me sedou também de mim mesma.

E a Alice desse período meio que vagou, tipo a sombra do Peter Pan. Com vontade própria, é verdade, mas apenas uma sombra.

Eu a deixei longe de mim porque perto ela me fazia mal, me deixava triste.

Mas chega uma hora que a história fica tão repetitiva e maçante que é preciso virar a página (mesmo, e principalmente, quando se tem a impressão de que o resto da história perdeu o interesse).

Minha sombra é tão somente uma sombra, mas ela reflete o que eu sou. E eu não posso negar isso ou fechar os olhos para esse fato. Tampouco posso deixa-la por aí, sozinha. Porque o Capitão Gancho da vida real é muito perigoso e ardiloso, e se alimenta justamente das sombras.

Reconstruir a mim mesma usando a minha sombra, reacoplando a mim a alice mais triste e miserável que já existiu não é uma tarefa simples. Mas ela também sou eu, e só posso seguir adiante quando aceitar isso.

Já tive um milhão de recomeços. Mais da metade se deu depois que perdi minha lanterninha. Mas agora é diferente porque só agora consigo enxergar a continuação (da minha história e de mim mesma). E só agora aceito minha sombra de volta. 

O que significa que só agora consigo crescer. E sair da Terra do Nunca.

Eu posso voar!



quarta-feira, 7 de junho de 2017

Quem somos

A gente perde muito tempo achando que nós somos copo.

Não somos.

Nós somos a água.


terça-feira, 6 de junho de 2017

Inimig(a)miga

Ela pode ser a sua melhor amiga, sua maior confidente, sua parceira pra todas as horas.

Pode te dar ótimos conselhos e perfeitos consolos. Muitas vezes sem que você nem precise pedir. Porque ela conhece você, seu íntimo, seus pensamentos mais secretos.

Ela pode se mostrar disponível pra você, e somente pra você, te dando uma sensação de conforto que, sim, só ela é capaz de oferecer.

Dias de chuva? Melhor companhia. Dias de sol? Ela praticamente te puxa pela mão e te leva lá pra fora.

E tudo é perfeito com ela: um filme com pipoca, uma soneca depois do almoço, um por do sol com o céu colorido.

Ela é incrível.

Desde que...

Desde que ela queira.

Porque ela é incrível quando (e somente quando) quer, e isso independe do seu querer. Porque muitas vezes não é preciso que nada (ao menos não aparentemente) aconteça e ela vira um demonho.

Perde as cores, muda o tom.

E você se vê refém de uma amargurada mente, que só ressalta o que é cinza, o que é ruim.

Esqueça as boas lembranças! Até porque ela vai impedir que você as lembre. E esse impedimento vem em forma de avalanche. Aquele tipo de avalanche que reúne seus piores pensamentos, suas maiores culpas, seus principais arrependimentos.

E pra quem você pede socorro, quando sua mente deixa de ser sua bff?

Rezar não adianta; dormir é impossível.

Às vezes a dominação é tanta que (aqui você preenche com o que te aflige nessas horas).

Eu sinto raiva. Percebo que ela está no comando quando sinto que corre raiva nas minhas veias.

Raiva de tudo; muitas vezes de todos.

E o coração acelera, a respiração fica curta. E nos poucos momentos de lucidez eu penso "essa não sou eu".

E não é mesmo. Essa é a minha mente. Minha linda e malvada mente, que ora me nina, ora me chacina.

Ainda não tenho a fórmula pra dominar, pra me dominar. Porque é tudo tão intenso que em muitas ocasiões me sinto refém, me sinto dominada e acuada.

Mas aprendi uma coisa e quero compartilhar:

O segredo está naqueles momentos que a mente é nossa amiga. Sabendo não se apegar a ela fica mais fácil se desapegar quando ela vira monstro.

A gente cresce achando que nossa mente é a gente e por isso se sente tão frustrado.

Nós não somos a nossa mente. Não somos o nosso ego. Não somos nem mesmo os momentos de alegria, ou de dor.

Somos muito mais que isso; muito maiores e mais iluminados. A mente é só uma distração, um passatempo engenhoso.

Ela mente e isso por si só já explica muita coisa.



Não se deixe levar! Fique, mas fique consciente!


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Bloqueio junino

Desde que o mês começou todas as vezes que me propus escrever algo para o blog fui duramente bloqueada.

Pela pessoa mais influente possível.

Eu mesma.


Ando numa energia "good vibes" e tenho me esforçado para postar somente (ou em maior número, ao menos) mensagens positivas, voltadas para a evolução (a minha e a sua, que me lê).

Mas aí inevitavelmente sempre me vem o mesmo pensamento quando me proponho a escrever algo.

E ele diz que foi em junho que as coisas começaram a desandar. E aí todas as mensagens positivas se escondem debaixo da cama, porque as negativas são fortes e falam umas verdades na nossa cara, sem dó.

E aí pra me safar eu grito um "tá, mas foi 30 de junho, você não pode me atazanar desde agora" e as bads rebatem afirmando que, sendo assim, mês que vem elas voltarão mais fortes ainda, afinal a Raquel ficou doente em junho, mas morreu em julho.

E agora eu tenho medo de não escrever nada que preste até agosto.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Caridade

Caridade vem do latim carítas e significa afeto, amor. A palavra tem origem num vocábulo grego, chàras, que significa graça. 

(Uma informação pouco útil: no latim charas significa gráfico)

Eu gosto muito de estudar as palavras, sou capaz de gastar horas pensando nisso; acumulo, quem sabe, já alguns anos de pensamentos exclusivos à formação morfológica das palavras, o significado, etc (eu briso memo!). 

E sei que existem termos, palavras, que de tão repetidas às vezes até perdem o seu significado real. Por exemplo, “caridade”.

A gente tem o costume de associar a palavra unicamente ao ato de ajudar ao próximo. Pior que isso: a gente quase sempre associa a palavra caridade a coisas materiais, à doação de coisas materiais, melhor dizendo.

Mas quando se para pra pensar no conceito, no significado da palavra, a gente vê que a caridade vai muito, muito além disso.

Dia desses eu li que a gente só pode oferecer o que tem pra dar.

Atualmente tudo o que eu tenho pra compartilhar com as pessoas é o meu tempo e amor. E é basicamente o que eu faço semanalmente no centro espírita Reviver, em Campinas.

E eu vejo essa doação como caridade, primeiro porque eu me dedico a fazer algo bom, que engrandece – e nada muito complexo, às vezes um sorriso e um cadinho de atenção são tudo o que uma pessoa precisa, vindo de uma estranha como eu – e segundo porque é melhor que eu dedique algumas horas da minha semana ao estudo da vida, e estar lá é estudar (a vida, as pessoas, a mim mesma), do que ficar em casa pensando besteira – e eu sou muito boa pra pensar besteira.

E essa caridade é muito interessante porque eu me confronto com muitas coisas, inclusive e principalmente comigo mesma. Eu tenho muitas questões dentro de mim sendo resolvidas nesse momento, muitas outras que eu ainda nem consegui acessar...

E um esforço diário que eu sinto que venho trabalhando é aquele no sentido de me amar. Por que como eu posso dar amor, afeto, como eu posso dar o que quer que seja para alguém, como eu posso ser caridosa com o outro se eu não sou comigo mesma?

E eu sou muito rigorosa comigo, sou muito rude, me julgo, me condeno, me puno. Por hábito, por vício, por obsessão, vai saber...

E ir pra lá toda terça, justamente uma terça, e me preparar pra ir pra lá nos outros dias, estudar, ler, tudo isso tem sido muito importante pra mim, pra minha caminhada, pra minha evolução aqui na terra, como Alice.

E acho que talvez por isso, por tudo isso, o significado que eu mais gosto de dar pra palavra caridade é doação genuína, aquela da mais sincera, que vem do coração e que começa de mim pra mim.

E eu sou muito grata por isso. E ser grata está sendo atualmente tão importante quanto ser caridosa!

Mas aí já é outro assunto.



terça-feira, 30 de maio de 2017

Diante dos olhos

Existe uma história, com toques de lenda, que conta da chegada dos desbravadores colonizadores às terras habitadas por índios.

As fontes são múltiplas e a origem dos personagens varia de acordo com quem está contando a história, então nem vou me ater a esses detalhes.

A mensagem é incrível, e vem rondando a minha cabeça há dias.

E ela conta que quando os colonizadores chegaram os índios não perceberam. Não viram as gigantescas embarcações no mar.

Os índios sempre tiveram farto conhecimento acerca da natureza; suas plantas e animais, o céu e as estrelas. 

Mas não conseguiram enxergar as naus abarrotadas de uma cultura diferente da deles simplesmente porque eles nunca haviam visto nada do tipo.

Só notaram a aproximação quando perceberam que a padronagem do mar estava diferente. As ondulações eram estranhas. E aí viram, enxergaram as embarcações.


Reflita.


Dualidade

A luz torna a escuridão mais visível. 



segunda-feira, 29 de maio de 2017

sexta-feira, 26 de maio de 2017

HQQC #1 - No banho

Aprendi a tomar banho no dia que soube o que era ironia.



Acho que eu tinha uns três anos. Tava na escola, me preparando pro lanche.

Fui mostrar pra uma amiguinha como fazer bastante espuma com o sabonete.

Uma professora me chamou a atenção, falando que era pra lavar a mão, não tomar banho.

Achei engraçado, mas notei que ela falava sério.

Até hoje eu tomo banho que nem criança.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Devaneios na conversa alheia

“Aproveita que ele tá de bom humor”.

Não sei quem é ele. Nem como costuma ser o seu humor.

Mas ouvi essa frase no meio da conversa de duas pessoas na rua e comecei a refletir.

Nós somos muito chatos!

Eu entendo que muitas coisas na vida nos forçam e nos empurram para o abismo do mau humor, sei que muitos imprevistos nos tiram o sono (e não dormir devidamente causa mau humor), sei também que há muita gente chata que afeta nosso humor (basta existir).

Mas há várias coisas que são inerentes à nossa própria vida, a nós mesmos. E isso inclui o humor (partindo do princípio de que não se evita os acontecimentos, mas escolhe-se como lidar com eles).

Que coisa chata ter que aproveitar o humor do outro para conseguir algo – muitas vezes, o diálogo.

Ou, melhor dizendo, que coisa chata que os outros tenham que depender de como estamos para conseguirem algo, por exemplo, o diálogo.

(Vou falar em primeira pessoa pra não parecer que estou me referindo a alguém especificamente)

Eu tenho os meus motivos para ficar de mau humor. Muita coisa não é como eu queria, muitas outras aconteceram sem a minha vontade, às vezes tenho que me relacionar com pessoas que não gosto, mas sou obrigada.

Mas se eu me fecho, de bico, eu me bloqueio pro que é ruim, mas também pro que é bom.

Imagine que as nossas frequências energéticas (que incluem o humor) são como as pistas de corrida (aquelas oficiais, que não se pode mudar de faixa). A partir do momento que eu corro na pista do mau humor, quem tá nas outras pistas não consegue me acessar.

Considerando que a vida não é uma corrida, e que a meta é justamente passearmos entre uma pista e outra, se fechar na redoma do mau humor é se fechar para a convivência.

E não vale dizer que a convivência é uma das causas do mau humor, porque a convivência, na verdade, é um dos motivos para estarmos aqui, em vida.

O que eu quero dizer com tudo isso é:

1. observe-se. Observe seu humor, sua energia.

2. você não precisa se prender em uma frequência vibratória, principalmente as menos elevadas.

3. o mau humor te impede de viver muita coisa legal.

4. tem muita gente chata por aí; não seja mais uma.

5. ouvir a conversa dos outros desperta mil pensamentos.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Meu poder

Eu nada posso fazer se você não gosta de mim.

Não no sentido de interferir no seu livre-arbítrio.

Não gosta, não gosta, ué.

Mas eu posso fazer muito em relação ao fato de você não gostar de mim.

Muito, no sentido de lidar com isso. Da melhor maneira possível.



terça-feira, 16 de maio de 2017

Yin e Yang

"... uma coisa só pode se modificar inicialmente devido a causas internas e posteriormente a causas externas, ou seja, uma mudança ocorre somente quando as condições internas estiverem amadurecidas, no ponto certo. Assim sendo, Yin e Yang não são definições, mas um método para se definir mudanças..."!


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sigo escrevendo

Me propus a fazer, durante o mês de maio, um post por dia.

Meio do mês e eu já quero desistir.


domingo, 14 de maio de 2017

1.10 ano

As mudanças acontecem de dentro pra fora.

Não sou eu quem diz isso, mas nem por isso deixo de me apropriar dessa frase que rotula uma grande verdade.

Eu sou testemunha ocular.

Vi minha vida ser revirada de cabeça pra baixo, pro lado do avesso.

Me recolhi.

Me transformei.

Ainda não sou quem eu almejo ser. Ainda não conquistei a paz que sei que existe dentro de mim. Ainda não cheguei naquele ponto específico que desejo pra minha vida.

Mas me metamorfoseei.

E sou grata por isso; por mim, pela minha força, pela minha possibilidade de evoluir.

E grata porque a dor hoje é saudade. 


sexta-feira, 12 de maio de 2017

quinta-feira, 11 de maio de 2017

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Quais são suas dúvidas?

Os seus questionamentos dizem muito mais do que as respostas.


Escute o céu

A lua de hoje, lua cheia, vai abrir muitos caminhos!

Li a respeito de muitos encantos e até um festival que acontece hoje em razão da lua cheia.

Resumindo: ela vai estar babado.

Começa às 18h40!

Não perca!


segunda-feira, 8 de maio de 2017

Leitura obrigatória

E quando me demoro a ir atrás,

ou quando meus estudos são muito focados (ou demasiadamente específicos),

a vida me manda seus recados.

E eles vêm em pichações, em posts das redes sociais ou (e principalmente, em grande quantidade) em TCCs que reviso.




Diz o texto: "segundo Weil (1995), o modo como percebemos o mundo vai depender do estado de consciência no qual estamos operando".



#sense8

Netflix e eu: um caso de amor!


sábado, 6 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017

"Minha voz continua a mesma..."

Pintei o cabelo.

Não fazia isso desde 2014, quando descobrimos a doença.

Quis mostrar minha solidariedade dessa forma, já que a Raquel se opôs (veementemente) que eu também raspasse a cabeça. Ela dizia que bastava uma careca.

(na verdade ela falava "basta uma feia", mas me recuso a registrar isso nesse post porque ela ficou linda careca! Mas parece meio errado eu achar isso)

Depois que tudo aconteceu não pintei o cabelo por relaxo; não sei se depressão justifica!

Mas não senti vontade, e cortei só uma vez, me arrependendo na sequência (não foi num salão e acho que eu tinha bebido!).

Um cabeleireiro só foi encostar nas minhas madeixas no final do ano passado. Me senti tão leve, por tudo, que até chorei.

E aquilo já me pareceu o suficiente, como se o tempo não fosse fazer os fios crescerem novamente, ou como se o branco não fosse tomar conta da cabeça desordenadamente.

Foi o que aconteceu.

E mesmo eu me sentindo mais firme ultimamente, não tive aquele ímpeto de "vou me cuidar".

E não teria, acho, por muito tempo se não fosse uma pessoa de nome Mariana. Minha irmã.

Minha irmã cuidou de mim desde o início, indo às vezes pro hospital pra se certificar como eu tava. Se não ia (minha sobrinha era pequena na época), me ligava pra saber se eu tava bem, se tinha comido, se tava dormindo.

Foi ela quem mais insistiu pra eu sair de São Paulo, do apartamento que me sufocava, e foi ela quem mais me deu palavras de consolo depois que voltei pra casa do meu pai.

Minha irmã me deu até um novo sobrinho, meu afilhado, e gosto de acreditar que ele é meu presente (bem gordo e barulhentinho!). Um pacotinho que me fez mais feliz desde o primeiro minuto.

Com ótimos argumentos e com um poder de persuasão incontestável, minha irmã me deu dicas de cuidado, saúde, beleza e moda (rs).

E pensa que ela insistiu muito pra me arrumar?

Que nada.

Ela mesma pintou meu cabelo, minutos depois de me ajudar a escolher a cor da tinta (tinta, aliás, que ainda nem paguei!).

Ela me levou no salão ("na esquina do posto") pra eu dar um jeito em mim. O corte foi ela que escolheu.

Não satisfeita, Mariana me deu uma limpeza de pele (a primeira da minha vida) e me marcou num check in do facebbok lá no Starbucks.

E aí parece que do dia pra noite eu fiquei diferente.

E fiquei mesmo!

Agora trago estampado no rosto (e no cabelo) o fato de que tenho uma irmã querida que me ama!

Grata, ermã!



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Minhas novas mãos de velha

Foi de um dia para o outro; um acúmulo de 34 anos.

De hoje para sempre.


Faz dias que venho olhando pras minhas mãos, em sofrimento.

"Estou velha, estou velha".

Mas as manchas senis que surgiram nessa mão esquerda eram, na verdade, queimadura de limão.

Sobre o altruismo

Compadeça da dor do outro, mas não lhe tome as dores para si!

Carregar os seus problemas já é tarefa mais do que suficiente para uma vida inteira!

Ser altruísta não significa sofrer pelos outros.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Prática do dia

Nada nunca vai justificar animosidades que pratique contra você mesmo.

Somos feitos de amor, e é amor que deve permear os seus dias.

Ame-se, e se der, ame-se mais!


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Eu, hoje

Não posso mudar quem eu fui.

Já foi, já fui.

Ciente disso altero quem vou ser muito em breve.

Vive hoje a Alice de amanhã.


domingo, 30 de abril de 2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Somos barco, mar e farol

Somos todos missionários.

Mas seres de luz, antes de tudo!

E nosso grau de iluminação é tanto que temos o poder, e a liberdade, de escolher desde onde vamos nascer, com quem vamos conviver, até a ciência de quais são os pontos frouxos que precisam de atenção em vida, às aparas que necessitam de cuidados, os nós que devem ser desfeitos.

Não é obra do acaso que este nasça rico e aquele pobre; que este seja assim e o outro assado.

Nós escolhemos (num nível de livre-arbítrio que beira a incompreensão).

Calma e tranquilamente, somos nós que definimos.

Nós somos o que definimos!

Somos nós os senhores dos nossos próprios destinos.

E é tudo tão maravilhosamente arquitetado que temos a graça de vivenciar todas (todas!) as maneiras de viver.

Você é do jeito que é hoje, agora, mas não foi sempre assim. Você apenas está assim.

Não é questão meramente de sorte, portanto, quando eventualmente a grama do vizinho é mais verde. E vale ressaltar que em muitos casos temos essa impressão nos atendo unicamente às aparências, sem nos darmos conta das pragas e ervas daninhas que afetam o jardim do outro.

(nossos olhos muitas vezes nos traem!)

Como diz a música, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Só a gente sabe onde aperta o calo dentro de nossos sapatos.

Mas, oh, mesmo tão iluminados, e dotados de tanta sabedoria, e responsáveis pelos nossos passos, aparentemente basta que o jogo comece para que a mesquinhez se apresente. E daí nos perdemos em nossos egos, e nos afogamos em nossas vaidades, enquanto sentamos em cima de nossos rabos pra observar (e julgar, muito) as atitudes do coleguinha.

E aí o que deveria ser divino (literalmente!) se transforma em um inferno aparentemente sem fim.

Hipnotizados, embriagados por pensamentos muitas vezes incorretos, esquecemos daquilo que realmente importa nessa vida: nós mesmos.

Somos todos missionários.

Mas seres de luz, antes de tudo!

E não deveríamos, principalmente depois de tomar conhecimento disso tudo, deixar que a rotina conduzisse nossos pensamentos, palavras e atos.

Porque a vida é, sim, um barquinho que ora navega por águas calmas e cristalinas, ora enfrenta terríveis tempestades. Mas não é (e é preciso lembrar disso constantemente) um barco à deriva.

“Segura o leme, marinheiro”! Não se atraque! Deixe o que já foi, ir; deixe que o que vier, venha.

Não se distraia quando eventualmente a correnteza não estiver favorável, ou porque outros barcos navegam por outros mares.

Atente-se ao seu rumo, endireite a sua proa, e divirta-se!

A viagem deve (e precisa!) ser agradável!

Tudo à sua volta é pra você!

É tudo seu!

Desfrute!

E seja feliz!



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Seja feliz

Aproveite sua vida!

Aproveite-a hoje!, agora!

Divirta-se à sua maneira: faça o que gosta, fique perto de quem (te) ama!

Mas não faça isso apenas pensando que amanhã tudo estará diferente; faça porque é hoje que você cria suas memórias! E hoje é um ótimo dia para ser feliz!


terça-feira, 25 de abril de 2017

Dialogo

"Como pode se irritar com as pessoas?", perguntou-lhe a Consciência, "se você é gente como toda a gente?"

"Somos todos um. Acaso não gostas de ti?", insistiu.

Alice ponderou, concordou, e passou a se esforçar para amar mais, sincera e indiscriminadamente.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Post para Joana

Acabei de descobrir que a amiga de uma amiga da Raquel, que tava com câncer, morreu.

Já faz dias, mas descobri só hoje (porque tinha bloqueado ela das redes sociais assim que vi que ela tava doente - achei demais acompanhar a sua luta).

Essa moça foi a primeira a nos visitar quando nos mudamos pro Brás, junto com a então namorada dela.

Não tínhamos nada, ainda, só um tapete listrado que a Raquel tinha ganhado já nem me lembro mais de quem.

Naquela noite nos sentamos no chão, bebemos vinho e uma das taças virou no tapete.

Eu confesso que fiquei bastante chateada, mesmo sendo uma bobagem. Era só um tapete, afinal de contas.

A mancha ficou, o tapete mofou e as duas partiram.

E cá estamos.

Quantas vezes a gente gasta tempo com manchas, quando na verdade deveríamos nos ater ao vinho que sobra no copo?


terça-feira, 11 de abril de 2017

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Apometria

É muito excitante poder descobrir quem se é de verdade!

É muito merecimento!


sábado, 8 de abril de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Paciência é amor

Considerando toda a nossa história de evolução (o que já alcançamos e o que ainda falta alcançarmos), "paciência" é muito de Deus!


terça-feira, 4 de abril de 2017

O sonho que sonhei

Morei no Mato Grosso uma vez. Parece que foi ontem, mas este ano completo dez anos dessa jornada/aventura.

Fui pra lá sozinha, porque a vida me levou, mas hoje sei que foi porque era exatamente aquela cidadezinha no norte do estado que eu precisava ter no meu caminho. E precisava ir parar lá sozinha, porque somente estando sozinha eu poderia me encontrar!

Lembro que ria quando pensava que estar ali era muito “a minha cara”. E era mesmo!

Eu usava um chapéu, ia pro trabalho com uma bicicleta azul, vivia descalça e tomava banho de rio. E estava cercada de pessoas de bom coração (e o meu coração se aquece sempre que me lembro dessa gente, tão especial!).

Do mesmo jeito que fui, voltei. Mais florida, eu acreditava, sem perceber que até mesmo meu jardim interno sofre as influências do tempo (e do passar dele).

Passados dez anos me vejo em goteiras. Pensava estar blindada, e talvez exatamente por isso os eventos que surgiram no meu caminhar me infiltraram tanto.

Essa noite sonhei com amigos queridos. Provavelmente já havia encontrado com alguns deles em sonhos passados, mas o que vivi enquanto dormia hoje continua ecoando dentro de mim com bastante força e vigor.

Nos abraçamos muito, envoltos em amor e carinho. Eu senti os abraços! E o amor! E o carinho! E ainda sinto, agora, mesmo desperta!

Um amigo muito querido consertou o telhado do meu quarto nesse sonho. Ele pingava incessantemente. E eu me senti tão bem cuidada que amanheci com menos impressão de ter telhas de vidro.

Eu não estou sozinha!




sexta-feira, 31 de março de 2017

quinta-feira, 30 de março de 2017

Um poema

Se observar atentamente verá; está aqui!

É no encanto do canto que decanta!

E tá no céu, tá no chão e até na planta

Tá no riacho, na água corrente (tá na sua garganta)

Abra-se e verá! Ou, melhor que isso: abra-se e sentirá!

E todos os seus sentidos estarão atentos, e ao se lançar (não se assuste!, esse é o intento!), você será livre (livre!), e não mais uma prisioneira, um detento

A vida vai além d’olhos.


quarta-feira, 29 de março de 2017

400

Um dia fomos à praia.

Nossos encontros com o mar sempre aconteciam no litoral paulista, especificamente na Prainha Branca (Bertioga/Guarujá). Já não me lembro mais como ficamos sabendo de lá, mas depois que fomos pela primeira vez, nunca mais fomos em outro lugar. Aquele era o nosso lugar, a nossa praia. Nossa prainha de areia branca e água cristalina.

Acampamos lá algumas vezes, sempre cientes da sorte que tínhamos por ter descoberto aquela ilha. Escolhíamos sempre como refúgio o último camping da praia, que na época ainda não tinha nem chuveiro no banheiro (o banho era de água fria, numa nascente).

Fazíamos a trilha de pouco mais de uma hora, e chegando lá sempre entendíamos o porquê de valer a pena. Nas minhas lembranças, aquele lugar era sempre quase o paraíso. E estar com a Raquel lá tornava tudo ainda mais mágico (caso não tenha ficado claro ainda, ela era muito, muito divertida!).

Um dia a Gabi, minha filha, nos acompanhou. Ela tinha tido apenas um contato com o mar até então, e eu quis que ela conhecesse nosso pedacinho de céu.

Tudo programado, acordamos bem cedinho, fomos até o Jabaquara, pegamos a van, descemos a serra, pegamos a balsa, fizemos a trilha, chegamos lá, montamos a barraca, colocamos os biquínis e... céu nublado.

Quase uma decepção.

Entramos no mar e eu propus uma brincadeira: “vamos fazer o sol sair”.

Raquel, Gabi e eu começamos então nosso coro: “sorte e sol! Sorte e sol! Sorte e sol”!

Às vezes o sol saía, meio tímido, e nós aplaudíamos, ríamos e nos divertíamos. Nos convencemos de que nossa torcida fazia tudo dar certo.

De lá trouxemos o ritual para a vida. “Sorte e Sol” viraram nossas palavras de ordem, nosso mantra da sorte, nossa receita pra fazer o sol sair em todos os céus.

Raquel dizia que eu tinha trazido sol pra vida dela. Eu gostava de dizer que ela me trazia sorte. Não havia, portanto, nada mais significativo do que “Sorte e Sol”.

Quando ela fez a passagem eu fiquei muito sentida. Me senti muito sozinha e também muito azarada. Tudo o que via era o céu cinza, e sem ela comigo eu parecia não ter forças pra querer o sol brilhando em mim novamente.

Aí fiz o que sempre faço nos momentos de crise: escrevi. E criei esse blog, no sétimo dia.

Hoje, 400 posts depois, decidi mudar seu nome. O endereço continua o mesmo, e será sempre este, como uma cicatriz. Mas o nome muda porque Sorte não foi embora; ela está aqui.

Tive sorte de encontrá-la, tive sorte de receber seu amor, tive sorte de ser a escolhida pra cuidar dela nos seus últimos dias. E hoje vejo a minha sorte sempre que sinto meu coração aquecido pelas lembranças, sempre que sinto o amor emanar de mim quando penso nela, sempre que a sinto aqui comigo, mesmo que de uma maneira que eu ainda não compreenda de todo.

Sorte e Sol!




terça-feira, 28 de março de 2017

Os políticos (de oposição), os políticos (da base do governo) e nós (cidadãos comuns)

O Brasil fervilha – e não é de hoje. Confabulações no campo da política afastaram uma presidente eleita democraticamente e temos hoje um país governado por pessoas corruptas e mediocremente egoístas (pra não dizer simplesmente “safadas”).

Passado o golpe (travestido de impeachment), tivemos uma boa chance de nos manifestarmos, verdadeiramente, contra toda essa corja e suas mazelas: as eleições municipais.

Acredito que as ruas têm muito poder, sempre fui favorável às manifestações populares e quem me conhece mesmo sabe que eu apoio inclusive os “‘black blocs’ que quebram bancos” (acho que tem que quebrar memo!). Mas acima de tudo eu acredito no poder da democracia, e sempre depositei muitas das minhas esperanças nas urnas de votação.

No ano passado eu trabalhei na campanha municipal de Indaiatuba, porque precisava de dinheiro, mas também porque o candidato que defendi tinha um mínimo de proximidade com os meus pensamentos (mesmo vindo do PV, partido golpista).

Nos conhecemos quando ele assumiu seu primeiro mandato na Câmara, em 2009, e eu era editora de política num jornal local. Gostava de acompanhar suas ações porque, além de ele ter quase a mesma idade que eu, foi um dos poucos opositores ao governo do PMDB na cidade.

Quando soube que ele ia concorrer à prefeitura eu quis estar junto. Por ideologia mesmo.

O cenário aqui era o seguinte: meu candidato, numa chapa esquisita (que tinha partidos como REDE, SD e até mesmo o apoio do MBL), contra o candidato indicado pelo atual prefeito (que por sinal estava preso na ocasião, acusado de manter esquemas fraudulentos na desapropriação de terrenos da cidade).

Só gente boa!rs

Eu trabalhei para a coligação, mas meu foco sempre foi o candidato a prefeito.

Mesmo assim, sempre que me diziam não saber em quem votar para vereador, eu indicava um, especificamente. “Vota nele, ele é um bom moço”, eu dizia sempre, sem ganhar nada em troca, e sem esperar também nenhum retorno, caso ele se elegesse.

Meu candidato a prefeito perdeu as eleições. O candidato a vereador que eu indicava pra geral entrou, com mais dois colegas da chapa. Ou seja, em teoria, a cidade elegeu três candidatos da oposição e nove candidatos da base de governo.

Pois bem.

Dito isso, quero falar a respeito do que ocorreu ontem, na sessão ordinária que aprovou, por unanimidade, o aumento salarial dos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários municipais.

Sim, unanimidade.

Não faz nem quatro meses que os excelentíssimos assumiram suas cadeiras e já aprovaram o aumento de seus próprios salários, em regime de urgência e, volto a falar, por unanimidade.

Aí você pensa “ah, mas eles ganhavam pouco”... Uhum.

Atualmente um vereador de Indaiatuba recebe, de salário, míseros R$7.722,36. Esse valor foi atualizado há um ano (quando o salário dos legisladores era de apenas R$6.967,76). Ou seja, num breve período de tempo, aumento de quase mil reais. E agora querem mais: o reajuste votado ontem acrescenta 5,35% a esse valor.

E estou me atendo somente ao salário. Sabemos que os ganhos de um político nunca se restringem unicamente aos salários (até porque, se fosse, seria ainda mais insensato uma pessoa comum gastar muitas vezes milhões de reais para se eleger e, no fim, receber apenas o salário mensal).

Enquanto os noticiários nos convencem de que estamos em crise, e vemos nas ruas os problemas comuns às nossas cidades, os políticos estão preocupados única e exclusivamente com eles. E aumentam seus salários em detrimento de outros gastos, certamente mais importantes.

Sejam de oposição, sejam da base aliada. Eles querem defender o deles. Apenas.

E enquanto isso, eu e você discutimos, nos desunimos e nos desgastamos debatendo sobre política.

Fazemos exatamente o que eles querem! Porque enquanto brigamos, e nos dividimos, eles confabulam e fazem seus esquemas que priorizam o próprio ganho.

Eu citei o caso de Indaiatuba, mas isso ocorre em âmbito geral, global.

Eles são todos iguais, mesmo que a sigla do partido se diferencie.

E não dá nem pra dizer que nós vamos pagar o pato, porque nós estamos falidos.

Nós somos o pato.

E os políticos têm muita fome.


Li num livro

"A educação do pensamento é a fonte de todo o equilíbrio interior"!


segunda-feira, 27 de março de 2017

Me ensinaram que...

... vir pra cá e não evoluir é quase o mesmo que ganhar um lindo jardim e não se comprometer com a rega...


sexta-feira, 24 de março de 2017

Os dois caminhos

Existem dois caminhos pra aprender (e evoluir e alterar o status quo): o caminho do amor e o da dor.

Eu sempre fui adepta desse pensamento (e isso chegou uma vez a ser irônico).

Quem já andou pelo caminho da sombra e do sofrimento passa a entender no íntimo da alma que é muito melhor o caminho da luz (e note que eu não disse "mais fácil").





quinta-feira, 23 de março de 2017