quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Fim d'era

Uma vez, Raquel e eu compramos tênis iguais.

O dela era preto, claro, e o meu era xadrez.

O dela combinava com todas as roupas; o meu, não exatamente.

Não demorou muito pra eu começar a usar o tênis dela.

Em pouco tempo, ela já me questionava porque eu não tinha escolhido um igual, igual.

E assim o tempo foi passando, e aí ela morreu e eu morria de dó de usar o tênis dela.

Não demorou muito e eu comecei a usá-lo, diária e frequentemente.

Em pouco tempo, era só o que eu calçava.

Aí o tênis estragou na sola, e começou a ficar ruim pra andar com ele.

Mas andei, mesmo assim, mais uns 25km. Sempre consciente - de que o tênis tava zoado, e de que, calçando ele, de alguma forma, eu saía pro rolê também com ela.

Hoje ele foi pro lixo, com meu coração doendo, depois de mil despedidas.

Achei importante escrever essa história, porque esse tênis era mais que um calçado qualquer. Mas quando cheguei aqui, nesse ponto do texto, minha mochila caiu em cima do tênis novo (que ganhei ontem, e que não é nem preto e nem xadrez).

Acho que ela quer emprestado!


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