sexta-feira, 31 de março de 2017

quinta-feira, 30 de março de 2017

Um poema

Se observar atentamente verá; está aqui!

É no encanto do canto que decanta!

E tá no céu, tá no chão e até na planta

Tá no riacho, na água corrente (tá na sua garganta)

Abra-se e verá! Ou, melhor que isso: abra-se e sentirá!

E todos os seus sentidos estarão atentos, e ao se lançar (não se assuste!, esse é o intento!), você será livre (livre!), e não mais uma prisioneira, um detento

A vida vai além d’olhos.


quarta-feira, 29 de março de 2017

400

Um dia fomos à praia.

Nossos encontros com o mar sempre aconteciam no litoral paulista, especificamente na Prainha Branca (Bertioga/Guarujá). Já não me lembro mais como ficamos sabendo de lá, mas depois que fomos pela primeira vez, nunca mais fomos em outro lugar. Aquele era o nosso lugar, a nossa praia. Nossa prainha de areia branca e água cristalina.

Acampamos lá algumas vezes, sempre cientes da sorte que tínhamos por ter descoberto aquela ilha. Escolhíamos sempre como refúgio o último camping da praia, que na época ainda não tinha nem chuveiro no banheiro (o banho era de água fria, numa nascente).

Fazíamos a trilha de pouco mais de uma hora, e chegando lá sempre entendíamos o porquê de valer a pena. Nas minhas lembranças, aquele lugar era sempre quase o paraíso. E estar com a Raquel lá tornava tudo ainda mais mágico (caso não tenha ficado claro ainda, ela era muito, muito divertida!).

Um dia a Gabi, minha filha, nos acompanhou. Ela tinha tido apenas um contato com o mar até então, e eu quis que ela conhecesse nosso pedacinho de céu.

Tudo programado, acordamos bem cedinho, fomos até o Jabaquara, pegamos a van, descemos a serra, pegamos a balsa, fizemos a trilha, chegamos lá, montamos a barraca, colocamos os biquínis e... céu nublado.

Quase uma decepção.

Entramos no mar e eu propus uma brincadeira: “vamos fazer o sol sair”.

Raquel, Gabi e eu começamos então nosso coro: “sorte e sol! Sorte e sol! Sorte e sol”!

Às vezes o sol saía, meio tímido, e nós aplaudíamos, ríamos e nos divertíamos. Nos convencemos de que nossa torcida fazia tudo dar certo.

De lá trouxemos o ritual para a vida. “Sorte e Sol” viraram nossas palavras de ordem, nosso mantra da sorte, nossa receita pra fazer o sol sair em todos os céus.

Raquel dizia que eu tinha trazido sol pra vida dela. Eu gostava de dizer que ela me trazia sorte. Não havia, portanto, nada mais significativo do que “Sorte e Sol”.

Quando ela fez a passagem eu fiquei muito sentida. Me senti muito sozinha e também muito azarada. Tudo o que via era o céu cinza, e sem ela comigo eu parecia não ter forças pra querer o sol brilhando em mim novamente.

Aí fiz o que sempre faço nos momentos de crise: escrevi. E criei esse blog, no sétimo dia.

Hoje, 400 posts depois, decidi mudar seu nome. O endereço continua o mesmo, e será sempre este, como uma cicatriz. Mas o nome muda porque Sorte não foi embora; ela está aqui.

Tive sorte de encontrá-la, tive sorte de receber seu amor, tive sorte de ser a escolhida pra cuidar dela nos seus últimos dias. E hoje vejo a minha sorte sempre que sinto meu coração aquecido pelas lembranças, sempre que sinto o amor emanar de mim quando penso nela, sempre que a sinto aqui comigo, mesmo que de uma maneira que eu ainda não compreenda de todo.

Sorte e Sol!




terça-feira, 28 de março de 2017

Os políticos (de oposição), os políticos (da base do governo) e nós (cidadãos comuns)

O Brasil fervilha – e não é de hoje. Confabulações no campo da política afastaram uma presidente eleita democraticamente e temos hoje um país governado por pessoas corruptas e mediocremente egoístas (pra não dizer simplesmente “safadas”).

Passado o golpe (travestido de impeachment), tivemos uma boa chance de nos manifestarmos, verdadeiramente, contra toda essa corja e suas mazelas: as eleições municipais.

Acredito que as ruas têm muito poder, sempre fui favorável às manifestações populares e quem me conhece mesmo sabe que eu apoio inclusive os “‘black blocs’ que quebram bancos” (acho que tem que quebrar memo!). Mas acima de tudo eu acredito no poder da democracia, e sempre depositei muitas das minhas esperanças nas urnas de votação.

No ano passado eu trabalhei na campanha municipal de Indaiatuba, porque precisava de dinheiro, mas também porque o candidato que defendi tinha um mínimo de proximidade com os meus pensamentos (mesmo vindo do PV, partido golpista).

Nos conhecemos quando ele assumiu seu primeiro mandato na Câmara, em 2009, e eu era editora de política num jornal local. Gostava de acompanhar suas ações porque, além de ele ter quase a mesma idade que eu, foi um dos poucos opositores ao governo do PMDB na cidade.

Quando soube que ele ia concorrer à prefeitura eu quis estar junto. Por ideologia mesmo.

O cenário aqui era o seguinte: meu candidato, numa chapa esquisita (que tinha partidos como REDE, SD e até mesmo o apoio do MBL), contra o candidato indicado pelo atual prefeito (que por sinal estava preso na ocasião, acusado de manter esquemas fraudulentos na desapropriação de terrenos da cidade).

Só gente boa!rs

Eu trabalhei para a coligação, mas meu foco sempre foi o candidato a prefeito.

Mesmo assim, sempre que me diziam não saber em quem votar para vereador, eu indicava um, especificamente. “Vota nele, ele é um bom moço”, eu dizia sempre, sem ganhar nada em troca, e sem esperar também nenhum retorno, caso ele se elegesse.

Meu candidato a prefeito perdeu as eleições. O candidato a vereador que eu indicava pra geral entrou, com mais dois colegas da chapa. Ou seja, em teoria, a cidade elegeu três candidatos da oposição e nove candidatos da base de governo.

Pois bem.

Dito isso, quero falar a respeito do que ocorreu ontem, na sessão ordinária que aprovou, por unanimidade, o aumento salarial dos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários municipais.

Sim, unanimidade.

Não faz nem quatro meses que os excelentíssimos assumiram suas cadeiras e já aprovaram o aumento de seus próprios salários, em regime de urgência e, volto a falar, por unanimidade.

Aí você pensa “ah, mas eles ganhavam pouco”... Uhum.

Atualmente um vereador de Indaiatuba recebe, de salário, míseros R$7.722,36. Esse valor foi atualizado há um ano (quando o salário dos legisladores era de apenas R$6.967,76). Ou seja, num breve período de tempo, aumento de quase mil reais. E agora querem mais: o reajuste votado ontem acrescenta 5,35% a esse valor.

E estou me atendo somente ao salário. Sabemos que os ganhos de um político nunca se restringem unicamente aos salários (até porque, se fosse, seria ainda mais insensato uma pessoa comum gastar muitas vezes milhões de reais para se eleger e, no fim, receber apenas o salário mensal).

Enquanto os noticiários nos convencem de que estamos em crise, e vemos nas ruas os problemas comuns às nossas cidades, os políticos estão preocupados única e exclusivamente com eles. E aumentam seus salários em detrimento de outros gastos, certamente mais importantes.

Sejam de oposição, sejam da base aliada. Eles querem defender o deles. Apenas.

E enquanto isso, eu e você discutimos, nos desunimos e nos desgastamos debatendo sobre política.

Fazemos exatamente o que eles querem! Porque enquanto brigamos, e nos dividimos, eles confabulam e fazem seus esquemas que priorizam o próprio ganho.

Eu citei o caso de Indaiatuba, mas isso ocorre em âmbito geral, global.

Eles são todos iguais, mesmo que a sigla do partido se diferencie.

E não dá nem pra dizer que nós vamos pagar o pato, porque nós estamos falidos.

Nós somos o pato.

E os políticos têm muita fome.


Li num livro

"A educação do pensamento é a fonte de todo o equilíbrio interior"!


segunda-feira, 27 de março de 2017

Me ensinaram que...

... vir pra cá e não evoluir é quase o mesmo que ganhar um lindo jardim e não se comprometer com a rega...


sexta-feira, 24 de março de 2017

Os dois caminhos

Existem dois caminhos pra aprender (e evoluir e alterar o status quo): o caminho do amor e o da dor.

Eu sempre fui adepta desse pensamento (e isso chegou uma vez a ser irônico).

Quem já andou pelo caminho da sombra e do sofrimento passa a entender no íntimo da alma que é muito melhor o caminho da luz (e note que eu não disse "mais fácil").





quinta-feira, 23 de março de 2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

Regeneração

Ao longo desta vida já tive algumas palavras de ordem, quase lemas. Conceitos autoapregoados, por assim dizer. Sub-mantras entoados em momentos específicos e especiais. Cânticos rítmicos (e gramáticos) recorridos nos eventos de apuro e/ou esperança.

E eu sempre concentrei tanta enegia em torno dessas palavras mágicas que creio que despertava, mesmo, a magia de muitas delas.

Para citar um exemplo: "Sorte e Sol" durante muito tempo foi sinônimo de "boa sorte"; "já deu tudo certo". E funcionou até o dia em que não funcionou mais.

Ultimamente estive apegada à palavra "resiliência". É uma palavra gostosa, cheia de curvas e sonoridade.

"Resiliência". Eu sinto a vibração dentro do meu peito. Fico com a impressão de que tê-la por perto ajuda a edificar o que ela mesma prega: a capacidade de se manter "firme e forte"; o casaquinho que se veste quando mudam ventos e marés. Aquela corda forte o bastante pra te sustentar (desde que você queira e seja forte).

Quando decidi mudar de estado e não ser somente apenas sustentada eu progredi. E abracei a palavra-conceito-queridinha do momento: "regeneração".

Ilustro como "resiliência" sendo a boia e "regeneração" o nadar.

Eu quero é ir de braçada!


domingo, 19 de março de 2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Do luto

Quem me vê aqui sentada, toda bonitinha na frente do computador, prestes a escrever a respeito do luto não pode mensurar o caminho que trilhei.

Foi uma trilha sinuosa e tortuosa, e que apesar de eu já ter me movimentado bastante ainda falta muito, muito pra andar.

Mas reconheço meu progresso. E sou grata por ele.

Hoje me ouvi, em voz alta, falar da minha perda. O que me chamou a atenção foi o tempo que isso aconteceu: um ano e oito meses.

“Quase dois anos”, minha mente me alarmou. “Quase dois anos e o choro ainda te engasga”.

Resolvi escrever antes que o alerta começasse a soar mais alto aqui dentro de mim. E parto especificamente deste ponto.

O que é o tempo?

Ou melhor: por que, diante de tanta coisa para se pensar, analisar, dissecar e tentar engolir, muitas vezes a seco, eu vou me preocupar com a soma dos minutos do relógio?

O luto não é uma receita de bolo. Não é um compromisso agendado, com horário marcado.

Ele dura o tempo que precisa durar.

Saber quanto tempo dura depende única e exclusivamente de cada um.

Isso parece óbvio, visto de fora.

Mas eu demorei quase todo esse tempo de luto, até agora, pra aprender isso. E enquanto não aprendia, e justamente por isso, me cobrava segundo as folhas do calendário. Impus pesos extras que não precisava.

O luto pode durar meses ou anos. E ainda não tenho como provar, mas sinto que pode durar uma vida inteira.

Porque é algo que, mesmo vazio, preenche.

Mas se apresenta em etapas, às vezes não muito claras. E evolui.

Isso não significa que, plim, você acorda um dia e aquilo não lateja mais.

Palpita, todo o tempo, mas se aprende a lidar com isso.

O que acontece é que a gente se anestesia da realidade.

Parece uma cura, mas é só uma enganação. Imposta por nós mesmos. Questão meramente de sobrevivência.

Porque viver, encarar a “vida que segue” principalmente no começo do luto é triste e doloroso. Mas o que se pode fazer?

A vida continua, mesmo, afinal de contas.

Então você vai parando de chorar e aos poucos vai reassumindo sua vida, seus compromissos. Por obrigação, muitas vezes a contragosto, mas faz.

Quanto tempo isso dura?

Como se pode saber?

Esses dias eu li que a gente só percebe que se recuperou de uma dor assim quando fala no assunto e não sente mais nada.

Eu ainda sinto muito! E acho que já andei mais de quilômetro.

Percebo isso quando leio o que escrevi logo no começo ou repenso os pensamentos que pensei na ocasião.

E por isso acho que lidar com o luto já é complexo o bastante e não precisa de cobranças extras só porque já faz “tanto tempo” que isso aconteceu.

O tempo, na verdade, tem que ser um pódio; uma ilustração de progresso.

E progresso tem que ser o seu objetivo quando a vida te enfia naquele quarto escuro (escuro no sentido de “treva”).

Vibrei tão baixo que acessei coisas que não precisava. Como se eu tivesse resolvido cavar o fundo do poço.

Consegui!

Eu me senti muito refém de tudo o que aconteceu, mas sei que fui muito mais prisioneira de mim mesma, dos meus pensamentos, que influenciavam meus sentimentos, enquanto estive trancada dentro da minha tristeza.

Muitas vezes somos mais gentis com o outro do que com nós mesmos.

Eu sou perita nisso.

Ou era!

Porque o meu progresso sempre esteve, e sempre estará, atrelado à minha evolução – mental e espiritual.

A Raquel morreu e eu morri um pouquinho com ela. Renasci, numa lancinante dor, mas com consciência. Consciência do momento presente e de que a vida é efêmera. E que às vezes ela te diz “não”.

Só assim hoje consigo ser grata por entender a brevidade dos dias.

E isso a própria Raquel me mostrou, a minha Raquel, de sorte e sol, quando simplesmente morreu.

Mas... uma vez que somos todos energia, conectados, o que é a morte?

E o que é a morte diante do tempo?

Saí timidamente do meu quarto escuro, da minha treva, e a cada passo sinto mais a luz. E essa luz desfaz toda ignorância que carrego, todos os nós em mim.

Isso é libertador!

Parece bastante contraditório me libertar justamente com o que me aprisionou, mas não consigo pensar em antídoto melhor.

Devo ser grata ao meu luto?


Talvez. Mas ainda não cheguei nesse estágio!

A superfície

Tenho pensado muito, em muitas coisas, mas não me lembro de algum dia (nessa vida) ter me sentido tão em paz com os meus pensamentos.



Até porque agora eu consigo desligá-los!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Prioridades

Atarefada, aguei as plantas e pesquisei como atrair borboletas pro meu jardim.


quarta-feira, 8 de março de 2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

Batalhas.2

Depois de tantas trincheiras, aí está você.

Forte, experiente e com cicatrizes que servem de memória gravada na pele.

Uma constante lembrança dos caminhos trilhados até aqui.

Um alerta intermitente que serve de âncora, mas também de bússola.

Parece injusto, por assim ser, mudar a estratégia ao invés de te condecorar.

Mas não quero que se rebele; aceite, que dói menos.

Aceite sua nova missão e esqueça de todas as suas batalhas, todas as suas conquistas e também das derrotas e todos os seus pensamentos ligados a isso que causam ruído - muitas vezes sem que perceba ou se incomode.

Você precisa se limpar, se livrar.

Precisa estar leve pra conseguir o que está sendo proposto.

Foque no hoje, no agora, no momento presente.

O que foi, já foi; o que virá ainda não se apresentou.

Esteja livre, esteja leve, esteja aqui.

Ouça!


Batalhas

Raul canta que "é de batalhas que se vive a vida". E todos sabemos que ele nasceu há dez mil anos atrás, então


quinta-feira, 2 de março de 2017

Filão

Diante de tudo o que vem acontecendo (com a minha vida, com o mundo, com as energias do universo) me pergunto quem sou eu na fila do pão.

E mais: me pergunto se, por acaso, tem sem glúten.