terça-feira, 28 de março de 2017

Os políticos (de oposição), os políticos (da base do governo) e nós (cidadãos comuns)

O Brasil fervilha – e não é de hoje. Confabulações no campo da política afastaram uma presidente eleita democraticamente e temos hoje um país governado por pessoas corruptas e mediocremente egoístas (pra não dizer simplesmente “safadas”).

Passado o golpe (travestido de impeachment), tivemos uma boa chance de nos manifestarmos, verdadeiramente, contra toda essa corja e suas mazelas: as eleições municipais.

Acredito que as ruas têm muito poder, sempre fui favorável às manifestações populares e quem me conhece mesmo sabe que eu apoio inclusive os “‘black blocs’ que quebram bancos” (acho que tem que quebrar memo!). Mas acima de tudo eu acredito no poder da democracia, e sempre depositei muitas das minhas esperanças nas urnas de votação.

No ano passado eu trabalhei na campanha municipal de Indaiatuba, porque precisava de dinheiro, mas também porque o candidato que defendi tinha um mínimo de proximidade com os meus pensamentos (mesmo vindo do PV, partido golpista).

Nos conhecemos quando ele assumiu seu primeiro mandato na Câmara, em 2009, e eu era editora de política num jornal local. Gostava de acompanhar suas ações porque, além de ele ter quase a mesma idade que eu, foi um dos poucos opositores ao governo do PMDB na cidade.

Quando soube que ele ia concorrer à prefeitura eu quis estar junto. Por ideologia mesmo.

O cenário aqui era o seguinte: meu candidato, numa chapa esquisita (que tinha partidos como REDE, SD e até mesmo o apoio do MBL), contra o candidato indicado pelo atual prefeito (que por sinal estava preso na ocasião, acusado de manter esquemas fraudulentos na desapropriação de terrenos da cidade).

Só gente boa!rs

Eu trabalhei para a coligação, mas meu foco sempre foi o candidato a prefeito.

Mesmo assim, sempre que me diziam não saber em quem votar para vereador, eu indicava um, especificamente. “Vota nele, ele é um bom moço”, eu dizia sempre, sem ganhar nada em troca, e sem esperar também nenhum retorno, caso ele se elegesse.

Meu candidato a prefeito perdeu as eleições. O candidato a vereador que eu indicava pra geral entrou, com mais dois colegas da chapa. Ou seja, em teoria, a cidade elegeu três candidatos da oposição e nove candidatos da base de governo.

Pois bem.

Dito isso, quero falar a respeito do que ocorreu ontem, na sessão ordinária que aprovou, por unanimidade, o aumento salarial dos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários municipais.

Sim, unanimidade.

Não faz nem quatro meses que os excelentíssimos assumiram suas cadeiras e já aprovaram o aumento de seus próprios salários, em regime de urgência e, volto a falar, por unanimidade.

Aí você pensa “ah, mas eles ganhavam pouco”... Uhum.

Atualmente um vereador de Indaiatuba recebe, de salário, míseros R$7.722,36. Esse valor foi atualizado há um ano (quando o salário dos legisladores era de apenas R$6.967,76). Ou seja, num breve período de tempo, aumento de quase mil reais. E agora querem mais: o reajuste votado ontem acrescenta 5,35% a esse valor.

E estou me atendo somente ao salário. Sabemos que os ganhos de um político nunca se restringem unicamente aos salários (até porque, se fosse, seria ainda mais insensato uma pessoa comum gastar muitas vezes milhões de reais para se eleger e, no fim, receber apenas o salário mensal).

Enquanto os noticiários nos convencem de que estamos em crise, e vemos nas ruas os problemas comuns às nossas cidades, os políticos estão preocupados única e exclusivamente com eles. E aumentam seus salários em detrimento de outros gastos, certamente mais importantes.

Sejam de oposição, sejam da base aliada. Eles querem defender o deles. Apenas.

E enquanto isso, eu e você discutimos, nos desunimos e nos desgastamos debatendo sobre política.

Fazemos exatamente o que eles querem! Porque enquanto brigamos, e nos dividimos, eles confabulam e fazem seus esquemas que priorizam o próprio ganho.

Eu citei o caso de Indaiatuba, mas isso ocorre em âmbito geral, global.

Eles são todos iguais, mesmo que a sigla do partido se diferencie.

E não dá nem pra dizer que nós vamos pagar o pato, porque nós estamos falidos.

Nós somos o pato.

E os políticos têm muita fome.


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