quinta-feira, 4 de maio de 2017

"Minha voz continua a mesma..."

Pintei o cabelo.

Não fazia isso desde 2014, quando descobrimos a doença.

Quis mostrar minha solidariedade dessa forma, já que a Raquel se opôs (veementemente) que eu também raspasse a cabeça. Ela dizia que bastava uma careca.

(na verdade ela falava "basta uma feia", mas me recuso a registrar isso nesse post porque ela ficou linda careca! Mas parece meio errado eu achar isso)

Depois que tudo aconteceu não pintei o cabelo por relaxo; não sei se depressão justifica!

Mas não senti vontade, e cortei só uma vez, me arrependendo na sequência (não foi num salão e acho que eu tinha bebido!).

Um cabeleireiro só foi encostar nas minhas madeixas no final do ano passado. Me senti tão leve, por tudo, que até chorei.

E aquilo já me pareceu o suficiente, como se o tempo não fosse fazer os fios crescerem novamente, ou como se o branco não fosse tomar conta da cabeça desordenadamente.

Foi o que aconteceu.

E mesmo eu me sentindo mais firme ultimamente, não tive aquele ímpeto de "vou me cuidar".

E não teria, acho, por muito tempo se não fosse uma pessoa de nome Mariana. Minha irmã.

Minha irmã cuidou de mim desde o início, indo às vezes pro hospital pra se certificar como eu tava. Se não ia (minha sobrinha era pequena na época), me ligava pra saber se eu tava bem, se tinha comido, se tava dormindo.

Foi ela quem mais insistiu pra eu sair de São Paulo, do apartamento que me sufocava, e foi ela quem mais me deu palavras de consolo depois que voltei pra casa do meu pai.

Minha irmã me deu até um novo sobrinho, meu afilhado, e gosto de acreditar que ele é meu presente (bem gordo e barulhentinho!). Um pacotinho que me fez mais feliz desde o primeiro minuto.

Com ótimos argumentos e com um poder de persuasão incontestável, minha irmã me deu dicas de cuidado, saúde, beleza e moda (rs).

E pensa que ela insistiu muito pra me arrumar?

Que nada.

Ela mesma pintou meu cabelo, minutos depois de me ajudar a escolher a cor da tinta (tinta, aliás, que ainda nem paguei!).

Ela me levou no salão ("na esquina do posto") pra eu dar um jeito em mim. O corte foi ela que escolheu.

Não satisfeita, Mariana me deu uma limpeza de pele (a primeira da minha vida) e me marcou num check in do facebbok lá no Starbucks.

E aí parece que do dia pra noite eu fiquei diferente.

E fiquei mesmo!

Agora trago estampado no rosto (e no cabelo) o fato de que tenho uma irmã querida que me ama!

Grata, ermã!



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