terça-feira, 6 de junho de 2017

Inimig(a)miga

Ela pode ser a sua melhor amiga, sua maior confidente, sua parceira pra todas as horas.

Pode te dar ótimos conselhos e perfeitos consolos. Muitas vezes sem que você nem precise pedir. Porque ela conhece você, seu íntimo, seus pensamentos mais secretos.

Ela pode se mostrar disponível pra você, e somente pra você, te dando uma sensação de conforto que, sim, só ela é capaz de oferecer.

Dias de chuva? Melhor companhia. Dias de sol? Ela praticamente te puxa pela mão e te leva lá pra fora.

E tudo é perfeito com ela: um filme com pipoca, uma soneca depois do almoço, um por do sol com o céu colorido.

Ela é incrível.

Desde que...

Desde que ela queira.

Porque ela é incrível quando (e somente quando) quer, e isso independe do seu querer. Porque muitas vezes não é preciso que nada (ao menos não aparentemente) aconteça e ela vira um demonho.

Perde as cores, muda o tom.

E você se vê refém de uma amargurada mente, que só ressalta o que é cinza, o que é ruim.

Esqueça as boas lembranças! Até porque ela vai impedir que você as lembre. E esse impedimento vem em forma de avalanche. Aquele tipo de avalanche que reúne seus piores pensamentos, suas maiores culpas, seus principais arrependimentos.

E pra quem você pede socorro, quando sua mente deixa de ser sua bff?

Rezar não adianta; dormir é impossível.

Às vezes a dominação é tanta que (aqui você preenche com o que te aflige nessas horas).

Eu sinto raiva.

E o coração acelera, a respiração fica curta. E nos momentos de lucidez eu penso "essa não sou eu".

E não sou mesmo. Essa é a minha mente. Minha linda e malvada mente, que ora me nina, ora me chacina.

Ainda não tenho a fórmula pra dominar, pra me dominar. Porque é tudo tão intenso que em muitas ocasiões me sinto refém, me sinto dominada e acuada.

Mas aprendi que o segredo está naqueles momentos que a mente é amiga. Sabendo não se apegar a ela fica mais fácil se desapegar quando ela vira monstro.

A gente cresce achando que nossa mente é a gente e por isso se sente frustrado.

Mas a mente é só uma distração, um passatempo engenhoso.

Ela mente e isso por si só já explica muita coisa.



Não se deixe levar! Fique, mas fique consciente!


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